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Deputados devem anular audiência sobre obras do Maracanã

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Segunda, 12 Novembro 2012
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Deputados estaduais consideraram que não houve audiência pública, etapa legal indispensável para a licitação das obras do Complexo do Maracanã. “Foi uma farsa do governo Cabral”, disse Paulo Ramos.

A audiência pública sobre a licitação para gestão e reforma do Complexo do Maracanã, feita na última quinta-feira (8), poderá ser anulada, por iniciativa de alguns deputados estaduais. O deputado estadual Paulo Ramos disse que "não houve audiência pública" e que o evento foi uma "farsa armada pelo governador Sérgio Cabral". Segundo o parlamentar, o governo do estado não contava com a presença dos manifestantes e que, em parceria com outros colegas da Alerj, buscará providências judiciais para que a audiência seja cancelada.

No dia da audiência, no Galpão da Cidadania, na Zona Portuária, houve protestos contra a demolição da Escola Municipal Friedenreich, do Museu do Índio e dos parques esportivos Júlio Delamare e Célio de Barros.

Alunos e professores da Escola Municipal Friedenreich, ocupantes do prédio que já foi sede do Museu do Índio e atualmente pertence à Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), atletas dos complexos esportivos e torcedores de clubes cariocas pediram o cancelamento da audiência com gritos de "cancela" e "fora, Cabral".

Mesmo com a manifestação, Fichtner considerou a audiência legítima e disse que a manifestação "foi feita por minorias".  O governo Cabral quer entregar a administração do estádio para a iniciativa privada por 35 anos.

O projeto inicial prevê a demolição do Estádio Célio de Barros e do Parque Aquático Júlio Delamare para dar lugar a dois estacionamentos. Pela proposta do governo, o concessionário também terá que jogar abaixo mais duas estruturas. O prédio do antigo Museu do Índio (a área serviria para tornar mais rápida a saída do público do complexo esportivo).E a escola municipal, considerada a quarta melhor do estado, segundo o Ideb, que fica perto da estátua do Bellini. No espaço serão construídas duas quadras de aquecimento para os atletas.

O prédio onde funcionou o Museu do Índio foi desativado e ocupado há cerca de seis anos por 17 etnias que lutam pela preservação do centenário casarão, local onde foi criado o Serviço Nacional de Proteção ao Índio e que já serviu de moradia para o Marechal Rondon. Os povos indígenas reivindicam a restauração do prédio, em nome da preservação da cultura nacional. A índia Zahy Guajajara argumenta que “aquele prédio é um marco no nossa história. Ali foi criado o Dia do Índio. Deveria abrigar um centro de divulgação da nossa cultura, com cursos, exposições e outras atividades”.

Mas o governo do estado não está sensível à questão indígena. Disse que encontrará um novo local para a escola municipal. A questão da segurança também mereceu uma certa atenção. Em entrevista coletiva,  ao final da suposta audiência pública, o secretário Fichter admitiu que o edital de licitação das obras poderá ser modificado no que diz respeito ao complexo penitenciário Evaristo de Moraes, na Quinta da Boa Vista, próximo ao Maracanã. "O presídio será demolido e a contrapartida de quem assumir a concessão será construir outro, com capacidade para 2 mil presos, no Complexo Penitenciário de Gericinó", disse. Sobre a questão cultural e a preservação da memória indígena, nenhuma palavra.

Fonte: Agência Petroleira de Notícias (com informações de agências)

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