América Latina / Brasil

Grupos realizam protestos no Consulado da Venezuela no Rio

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Quinta, 01 Setembro 2016
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 Na manhã desta quinta-feira (1/9), o clima esquentou entre os grupos de oposição e apoiadores do governo da Venezuela que realizaram  protestos na portaria do prédio que abriga a sede do Consulado Geral do país no Centro do  Rio de Janeiro.

 

Imagem: André Lobão

De um lado os opositores que pressionam por um referendo revogatório do mandato do presidente Nicolás Maduro, que tem seu governo contestado por conta de uma grave crise econômica provocada pela queda dos preços internacionais do petróleo. Mas em minoria o grupo foi bastante contestado por apoiadores do atual governo comandado por Maduro.

“Esse pessoal que está aqui não defende a maioria do povo da Venezuela, eles defendem os interesses das oligarquias, da pequena burguesia e do empresariado que sempre dominou não só o país, mas também toda a América do Sul. Eles sempre tentaram uma série de golpes de estado como aconteceu recentemente aqui no Brasil” – afirmou o economista e pesquisador, Theotonio dos Santos ao criticar o papel exercido pela oposição da Venezuela.

Do outro lado, a defesa do governo legítimo e constitucional do governo de Maduro e do projeto bolivariano. O governo acusa a oposição de fascismo ao intentar um golpe nacional, apoiados por aliados internacionais ligados às oligarquias empresarias baseadas nos EUA,  que através da mídia criam comoção na opinião pública internacional, fazendo crer que a Venezuela e sua Revolução Bolivariana vivem um momento de decadência política.

Por isso, em reação aos protestos da oposição, o governo venezuelano, através de seu Consulado no Rio de Janeiro, fez uma convocação aos militantes e simpatizantes bolivarianos chavistas de todo o Brasil para uma concentração no seu consulado na capital carioca.

“Temos um pequeno grupo da oposição fascista venezuelana que está aqui no Rio de Janeiro, e do outro lado uma grande maioria de pessoas do movimento social brasileiro, e também de venezuelanos que vivem aqui que prestam solidariedade ao povo e ao presidente Nicolas Maduro. Hoje, nesse protesto, essa oposição formada por fascistas não chega a 10 pessoas, mas sempre recebem um grande espaço da mídia imperialista internacional financiada pelo governo dos EUA” – disse o cônsul geral da Venezuela no Rio de Janeiro, Edgar Alberto González Marín, ao minimizar o número de manifestantes da oposição presentes convocados para atos em representações diplomáticas de Caracas em todo mundo, nesta quinta, pela coalizão Mesa de Unidade Democrática (MUD).

O protesto em favor do governo de Nicolas Maduro e das políticas sociais bolivarianas no Rio contou com apoio de movimentos sociais brasileiros como União da Juventude Socialista (UJS) e da Frente Internacionalista dos Sem Teto (FIST).

“O governo da Venezuela, ao contrário do Brasil, tem uma política popular. O país fez uma reforma agrária urbana, nacionalizou o petróleo, entre outras ações importantes. É por isso, que a Frente Internacionalista dos Sem Teto (FIST) apoia esse ato contra esse protesto dos representantes da oligarquia venezuelana que tentam dar um golpe lá também. Hoje na naquele país o empresariado estoca alimentos para gerar revolta na população contra o governo de Maduro” – afirmou André de Paula, advogado da FIST.

O golpe formalizado como processo de impeachment, que derrubou a presidenta eleita do Brasil, Dilma Rousseff, parece que atiçou o animo dos poucos simpatizantes da oposição venezuelana no Rio, mas também fez crescer o apoio aqui ao governo venezuelano.

“Os fascistas venezuelanos se encorajaram muito com o golpe parlamentar que sofremos no Brasil. Só que ele estão enganados em pensarem que aqui em solo brasileiro será uma “seara”  como eles tentam fazer na Venezuela. Assim como o povo venezuelano resiste junto com seu povo, nós vamos resistir em defesa deles também aqui no Brasil” – constatou a pesquisadora em Comunicação Social da UFRJ, Maria Luiza Busse.