América Latina / Brasil

Feministas argentinas são presas em Buenos Aires por divulgarem o 8 de Março

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Terça, 07 Março 2017
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Assim que os três senhores, que se identificaram como fervorosos católicos, formalizaram a denúncia, a operação policial foi imediatamente montada.

 

Reprodução:Telesur

Três patrulhas, motos e 10 guardas paramentados cercaram o pequeno grupo de mulheres que distribuíam panfletos, convocando para as manifestações do 8 de Março. Seis delas foram detidas. Enquanto eram conduzidas à delegacia, os varões queixosos acompanhavam o cortejo:

- “Viva Cristo Rei, Viva Cristo Rei!” – gritavam e sacudiam os braços, comemorando o triunfo.

Esta cena desconcertante aconteceu na madrugada do dia 7 de março, em Buenos Aires, na vizinha Argentina. Qualquer semelhança com a caça às bruxas da era medieval talvez não seja mera coincidência. As mulheres detidas eram ativistas de diversas organizações, dentre elas o Coletivo ‘Ni Una a Menos’. A alegação foi de que elas estariam “perturbando a ordem pública”.

As mulheres, em contrapartida, defenderam-se argumentando estarem agindo tal qual outros grupos políticos e torcidas de futebol que costumam ocupar o mesmo espaço, vendendo as suas ideias. Por que, contra esses grupos, a indignação machista não se levanta?

O que aconteceu na Argentina é um bom motivo para as mulheres acordarem para a luta. Neste 8 de Março, uma greve internacional está sendo convocada, para que se dê valor ao papel das mulheres na sociedade: sem elas, tão menosprezadas e inferiorizadas, em pleno século XXI, o que seria do mundo?

Na lista de pelo menos 30 países que anunciaram adesão ao movimento – alguns coletivos citam 50 - com certeza em poucos lugares haverá efetivamente uma greve. Mas o importante é que as mulheres se manifestem de alguma forma. Na Finlândia, por exemplo, onde todos os direitos já foram conquistados, elas prometem aderir, solidariamente.

Motivos não faltam para ocupar as ruas. Na Argentina, Maurício Macri revogou o direito de aposentadoria para o trabalho doméstico, que fora instituído por Cristina Kichner. No Brasil, a cada duas horas uma mulher é morta: somos o quinto do mundo em feminicídio. Em todos os continentes o conservadorismo avança, assim como o corte de direitos e a violência de gênero.

A veterana Ângela Davis promete levantar as norte-americanas neste 8 de Março. O manifesto que assina é uma convocatória para a greve geral com a ideia de “mobilizar as mulheres, incluindo as transgênero” para construir “um novo movimento feminista internacional com uma agenda expandida: antirracista, anti-imperialista, antineoliberal e anti-heteronormativo”.

Confirmaram manifestações nesta quarta-feira mulheres da Austrália, Bolívia, Brasil, Canadá, Chile, Costa Rica, República Checa, Equador, Inglaterra, França, Alemanha, Guatemala, Honduras, Islândia, Irlanda do Norte, Irlanda, Israel, Itália, México, Nicarágua, Peru, Polônia, Rússia, El Salvador, Escócia, Coreia do Sul, Suécia, Togo, Turquia, Uruguai e EUA, dentre outros.

Fonte: Agência Petroleira de Notícias

 

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