Comunicação

Advogada ao depor no Senado censura uma mídia pública

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Quinta, 05 Maio 2016
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Histriônica e que não resiste a uma observação mais apurada de qualquer psiquiatra, mesmo que iniciante, Janaina Paschoal demonstrou em seu “espetáculo” que não passa de uma peça na engrenagem golpista em sua fase final no Parlamento brasileiro. Mas uma peça por demais questionável.

A advogada Janaina Paschoal, que juntamente com Helio Bicudo e o ex-ministro da Justiça do governo FHC Miguel Reale Júnior apresentaram as justificativas, aceitas pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, e 367 parlamentares para acabar com o mandato da Presidenta Dilma Rousseff, merece uma análise mais apurada e até existencial, sobretudo depois do seu recente depoimento no Senado.

Histriônica e que não resiste a uma observação mais apurada de qualquer psiquiatra, mesmo que iniciante, Janaina Paschoal demonstrou em seu “espetáculo” que não passa de uma peça na engrenagem golpista em sua fase final no Parlamento brasileiro. Mas uma peça por demais questionável.

Por sinal, os correspondentes da imprensa estrangeira estão atentos ao desenrolar dos acontecimentos e já não se guiam em suas informações e análises pela pauta da mídia nacional. O depoimento da advogada Janaina Paschoal até reforçou o posicionamento atual dos correspondentes. Mas isso valeria uma análise a parte.

Vamos nos ater a advogada parceira de Miguel Reale Júnior e Helio Bicudo, que por sinal não compareceu para depor no Senado.

Janaina Paschoal, além de falar e não convencer a pessoas medianamente  informadas sobre as tais “pedaladas fiscais”, foi mais adiante em seu depoimento ao propor algumas medidas no sentido de a Presidenta “poupar gastos” para que o governo, usando a sua linguagem,.”fizesse caixa”. Nesse sentido, demonstrou estar bastante sintonizada com o esquema de desestabilização do governo, algo que por sinal vem de longe, ou seja, teve início logo após ser conhecido o resultado a eleição presidencial de outubro de 2014.

Numa das partes do depoimento em que admitiu ter recebido 45 mil reais do PSDB por um trabalho em parceria com o tucano Miguel Reale Júnior, Janaina Paschoal se superou em matéria de falar qualquer coisa. Ao sugerir, por exemplo, “contenção de gastos”, Janaina Paschoal enfatizou que acha que “a TV Brasil deveria ser fechada porque o canal “só serve para fazer propaganda institucional”“.

Com isso, a advogada revelou total desconhecimento sobre uma mídia pública, como é a TV Brasil, e se superou ao dar o recado dos setores que estão preocupados com o fato de a emissora pública TV Brasil ter encontrado o seu caminho de dar vez e voz aos setores que não têm vez e voz na mídia comercial e com isso está conquistando audiência.

E depois disso ainda acrescentou que o que tinha dito “não tem nada a ver com a liberdade de imprensa”. Aí que ela se engana, tem a ver sim. Na verdade, Janaina Paschoal simplesmente atacou gratuitamente um meio de comunicação. Janaina Paschoal se superou e está utilizando métodos de censura, algo incompatível em um regime democrático. Está na cara o real motivo da censura e da raiva estampada pela advogada contra uma mídia pública como a TV Brasil.

Tal fato deve merecer o repúdio das entidades representativas dos jornalistas brasileiros e da sociedade civil, até porque o Conselho Curador da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) que representa a sociedade civil, tem vez e voz na referida empresa, mesmo muitas vezes sendo crítica em alguns pontos da programação. É de praxe o posicionamentos dessa natureza em uma hora em que um meio de comunicação é atingido, ainda mais de uma forma rasteira como aconteceu no depoimento de Janaina Paschoal, que revelou ainda por cima total desconhecimento.

Um fato grave, que automaticamente remete à censura, como este, não pode passar em silêncio.

Por estas e outras, bastaria acompanhar todo o depoimento no Senado de Janaina Paschoal e mesmo do ex-ministro Miguel Reale Júnior, para se chegar a conclusão que as tais “pedaladas fiscais”, realizadas também por outros presidentes (FHC e Lula) e governadores, entre os quais o próprio relator do caso do impeachment, o atual senador Antonio Anastasia quando governador de Minas Gerais, são meros pretextos para o bote do golpe institucional ao estilo paraguaio e hondurenho em curso no Brasil.

Os golpistas propriamente ditos ficam furiosos quando questionados nesse sentido, como aconteceu no depoimento prestado pelo Prêmio Nobel da Paz de 1980, Adolfo Perez Esquivel. Os senadores de tão enfurecidos obrigaram quem presidia a sessão, o Senador Paulo Paim, do PT, a retirar dos anais do Senado a palavra golpe. Podem retirar ou fazer o que bem entender, mas em breve quando esse período lamentável da história brasileira for analisado vai prevalecer a verdade, como aconteceu com o regime de força instalado no país a partir de abril de 1964. Naquele ano, os golpistas empresariais militares chegaram a denominar o golpe de estado com o uso da força como “revolução”. Hoje, ninguém mais duvida que houve um golpe que levou o Brasil a uma longa noite escura ditatorial e só saudosistas de extrema direita, como o famigerado deputado Jair Bolsonaro ainda defendem o indefensável regime que durou 21 anos e também torturadores como Carlos Alberto Brilhante Ustra.

Fonte: Mário Augusto Jakobskind

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