Direitos Humanos

Indígenas na ONU: “haverá mais retrocesso no Brasil”

Imprimir
Quinta, 22 Setembro 2016
Acessos: 1896
Compartilhar

Evento paralelo será realizado durante reunião do Conselho de Direitos Humanos em Genebra. A violência crescente será denunciada.

Nesta quarta-feira, 21 de setembro, lideranças indígenas brasileiras participam de evento paralelo na ONU, em Genebra, onde serão apresentados documentos que denunciam violações de direitos humanos contra os povos indígenas no Brasil. Haverá ainda uma mesa de debates com representantes indígenas, do governo brasileiro, da Fian Internacional e com a participação da relatora especial das Nações Unidas sobre assuntos indígenas.

A mesa será composta pela Guajajara e representante da Articulação dos Povos Indígenas no Brasil (Apib), Sônia Bone; pelo Guarani Kaiowa Elizeu Lopes; e pelo Yanomami e fundador da associação Hutukara (HAY), Davi Kopenawa. Ainda, comporão a mesa o procurador da República no Mato Grosso do Sul, Marco Antonio Delfino, e a relatora especial, Victoria, além Ana-Maria Suarez Franco, da Food First Information and Action Network (Fian International). Ainda, estarão no plenário do evento a Pankararu Cristiane Julião, a Taurepang Telma da Silva e a Xavante Samantha Juruna, convidadas pela ONU Mulheres.

Durante o evento serão apresentados: O Relatório Anual de Violência Contra os Povos Indígenas do Conselho Indigenista Missionário (CIMI); e o estudo, “O Direito Humano à Alimentação Adequada e à Nutrição do Povo Guarani e Kaiowá: um enfoque holístico”, realizado em parceria pela Fian Brasil, Fian International e Cimi, e que denuncia a grave situação nutricional e da segurança alimentar dos Kaiowa e Guarani no Mato Grosso do Sul.

Os indígenas se reuniram com representantes do governo brasileiro no dia 19, na Missão Permanente do Brasil junto à ONU e na terça-feira, 20, a relatora especial sobre assuntos indígenas da ONU, Victoria Tauli-Corpuz, apresentou o relatório da missão realizada no Brasil, em março deste ano. Durante a sessão, a liderança Guarani Kaiowa Elizeu Lopes, representando o Aty Guasu (Grande Assembleia Guarani e Kaiowa) e o Conselho Continental da Nação Guarani na delegação brasileira fez um pronunciamento onde denunciou a situação dos indígenas:

“A gente vem aqui dizer que tem genocídio, que tem violência. E com todo mundo sabendo, achamos que isso pode ajudar a cobrar a responsabilidade o governo do Brasil, para eles pararem de ser desumanos e assumir que fazem massacre com impunidade. O caso dos Guarani e Kaiowa é urgente, e não dá mais de esperar trinta, quarenta anos. É muito racismo e genocídio, não tem punição, e o governo não demarca as terras. Quem está morrendo somos nós. Como não fazem nada, nós não vamos parar de fazer retomada. A gente necessita de espaço. A luta não vai parar. A retomada vai continuar. Estamos defendendo a vida, para nós a terra é vida, é Yvy, é sagrado. Esse relatório tem informações muito sérias, tem que servir para pressionar, o governo brasileiro precisa ouvir que nós somos contra a Portaria 303, a PEC 215, o marco temporal”, concluiu Elizeu.

Informações para Imprensa (por whatsapp): Ruy Sposati 55 (67) 99971-8833
http://cimi.org.br/site/pt-br/?system=news&conteudo_id=8933&action=read

Fonte: CIMI – Conselho Indigenista Missionário

Compartilhar

Copyright © 2019 Agência Petroleira de Notícias. Todos os direitos reservados.
Joomla! é um software livre com licença GNU/GPL v2.0

Av. Presidente Vargas, 502, 7º andar, Centro, Rio de Janeiro - RJ, CEP 20010-000 • (21) 2508-8878 Onlink.