Direitos Humanos

Demolição na Cracolândia deixa feridos

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Terça, 23 Maio 2017
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Com o objetivo de derrubar a fachada de um prédio, prefeitura atinge pensão onde ainda estavam moradores. Ao menos três foram feridos

Uma operação autoritária do prefeito João Doria na Cracolândia terminou com cidadãos feridos e atitudes truculentas contra os moradores e comerciantes da região.

Com o objetivo de derrubar a fachada de um prédio demolido há quatro anos na alameda Dino Bueno, a prefeitura adentrou com escavadeiras uma área livre onde antes encontrava-se o edifício. Recentemente, o local vinha sendo ocupado por usuários de drogas. Na ação, realizada por volta das 14h, uma escavadeira atingiu uma parede que separava a área livre de uma pensão. O impacto resultou em ao menos três cidadãos feridos, que ainda encontravam-se no alojamento enquanto a prefeitura operava as escavadeiras.  

Gerente da pensão atingida, Valdete Souza Emiliano, 36 anos, afirma que a parede foi derrubada sem um aviso para que os moradores deixassem o local. "Com esse projeto do Doria de acabar com a Cracolândia, eles simplesmente colocaram os tratores na área livre e derrubaram a parede com os moradores dentro", afirma Valdete.

Segundo a Prefeitura, o objetivo da demolição era desarticular uma célula do Primeiro Comando da Capital, que controla o tráfico na região. Valdete afirma que não havia usuários ou traficantes no local quando ocorreu a demolição. "Aqui só tem pai de família e trabalhador, porque os usuários só Deus sabe pra onde foram."

De acordo com a gerente, a operação da prefeitura inviabiliza a continuidade de seu negócio. "Eu sou gerente e temos cinco funcionários, com os quartinhos destruídos como é que vai ter hospede? Sem hospede como a gente vai ser pago? A parede que caiu era a principal, todos os quartos dependiam dela. Alguns já tinham mês pago, agora não tem pra onde ir"

De acordo com a subprefeitura da Sé, responsável pela região, foi realizada uma ação de fiscalização na Cracolândia para verificar a regularidade dos estabelecimentos. Locais que não tinham licença de funcionamento ou falta de condições sanitárias e de segurança foram alvos de termos de interdição. A prefeitura iniciou a comunicação aos moradores há menos de 24 horas.

Segundo a gerente da pensão, o estabelecimento não recebeu o termo. Uma mercearia próxima do local recebeu um termo de interdição às 10h27 desta terça-feira 23.O documento apontava irregularidades nas instalações elétricas e de gás e equipamentos contra incêndio em desacordo com a legislação. O dono da mercearia, Magno Lima da Silva, afirma que "para eles (prefeitura) não interessa nada".

"Eles só chegaram aqui dizendo que iam lacrar, sem dizer o porquê. Depois falaram que era fiação, que iam demolir. Não perguntaram e nem deixaram a gente tentar arrumar a fiação pra ficar, só informaram que era pra sair", afirmou o comerciante.



Fonte: Carta capital

 

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