Educação

Reforma do Ensino legaliza o aparthaid social

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Sexta, 23 Setembro 2016
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Professor Gaudêncio Frigotto, da UERJ, diz que reforma do ensino médio de Temer é pior que na ditadura militar (Entrevista concedida a Fernando Paulino)

Sem discutir com a sociedade, o governo golpista de Michel Temer baixou Medida Provisória alterando substancialmente o modelo de Ensino Médio no país. A reforma é duramente criticada pelo professor Gaudêncio Frigotto, do Programa de Pós Graduação em Políticas Públicas e Formação Humana da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ):

“A reforma de ensino médio proposta pelo bloco de poder que tomou o Estado brasileiro por um processo golpista, jurídico, parlamentar e midiático liquida a dura conquista do ensino médio como educação básica universal para a grande maioria de jovens e adultos, cerca de 85% dos que frequentam a escola pública”.

Diz mais o professor: ”É uma reforma que anula Lei Nº. 1.821, de 12 de março de 1953, que dispõe sobre o regime de equivalência dos cursos de grau médio para efeito de matrícula nos cursos superiores e cria novamente, com outra nomenclatura, o direcionamento compulsório à universidade. Um direcionamento que camufla o fato de que para a maioria da classe trabalhadora seu destino são as carreiras de menor prestigio social e de valor econômico”.

Segundo Gaudêncio, “também retrocede e torna, e de forma pior, a reforma do ensino médio da ditadura civil militar que postulava a profissionalização compulsória do ensino profissional neste nível de ensino. Piora porque aquela reforma visava a todos e esta só visa os filhos da classe trabalhadora que estudam na escola pública. Uma reforma que legaliza o apartheid social na educação no Brasil”.

O professor Gaudêncio revela ainda que o argumento de que há excesso de disciplinas esconde o que querem tirar do currículo – filosofia, sociologia e diminuir a carga de história, geografia:

“É medíocre e fetichista o argumento de que hoje o aluno é digital e não aguenta uma escola conteudista,  mascara o que realmente o aluno desta, uma escola degradada em seus espaços, sem laboratórios, sem auditórios de arte e cultura, sem espaços de esporte e lazer e com professores esfacelados em seus tempos trabalhando em duas ou três escolas em três turnos para compor um salário que não lhes permite ter satisfeitas as suas necessidades básicas. Um professorado que de forma crescente adoece”.

Fonte: Fernando Paulino é jornalista

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