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FST-2012: Homenagem à Battisti no debate sobre sua obra

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Segunda, 06 Fevereiro 2012
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O escritor e ex-ativista italiano Cesare Battisti teve uma recepção bastante calorosa no Fórum Social Temático em Porto Alegre. Na última quinta-feira (26), Battisti foi à capital gaúcha para falar sobre o seu último livro “Ao pé do muro”. O romance é a última obra da trilogia que conta com “Minha fuga sem fim” e “Ser bambu”, inspirado e escrito no período em que esteve detido no Brasil. O debate, tratado como pré-lançamento do livro, foi promovido
pelo Sindipetro-RJ.

Francisco Soriano, diretor do Sindicato dos Petroleiros e que já foi preso político na época da ditadura militar, iniciouo debate mostrando solidariedade ao ex-ativista italiano, e se dizendo orgulhoso por apoiar a vinda de Battisti ao Fórum. “Isso é dever, nós lutamos por direitos humanos e por todas as causas justas de todos os povos, somos nacionalistas e internacionalistas, somos iguais a todos os povos oprimidos, onde houver injustiça, estamos
juntos”, declarou o diretor.
 

 
Em seguida foi a vez do argentino Carlos Alberto Lungarzo, professor-titular da Unicamp e membro da Anistia Internacional, manifestar sua admiração por Cesare Battisti, “um lutador por direitos humanos no plano pessoal”, definiu o professor. Lungarzo criticou a postura da mídia hegemônica sobre o caso Battisti, que sentenciou o ex-ativista como um criminoso e defendeu a sua extradição. “Nunca tinha visto tamanha onda de calúnias e tanta canalhice. Nunca chamaram Cesare Battisti pela sua profissão, que é escritor, e sim de terrorista, esquecendo ou ignorando completamente o significado da palavra terrorista”, disse Lungarzo.

Por sua vez, Rosa da Fonseca, militante do movimento Crítica Radical do Ceará, mostrou identificação com a luta de Cesare Battisti. “Sua liberdade é a liberdade de todos nós, contra a criminalização dos movimentos sociais que lutam para construir uma alternativa ao capitalismo”, desabafou Rosa, que participou do movimento em torno da libertação de Battisti.

E por último a fala de Cesare Battisti, que começou agradecendo o apoio do Sindipetro-RJ e de todos os movimentos sociais que lutaram pela sua liberdade. “Nunca me senti sozinho aqui. A manifestação de solidariedade dos brasileiros foi inesperada e surpreendente. Tão longe de onde tudo aconteceu, mas tão perto da solidariedade do povo brasileiro. Esquentou meu coração”, confessou o ex-ativista.

O livro que será lançado em março foi escrito por detrás das grades. Battisti diz que é uma ficção sobre a história de milhares de brasileiros que vivem na cadeia. “Só conhece um país, quando se conhece suas prisões. E eu fui conhecendo o Brasil através das palavras e emoções dos presos, da história pessoal desses presos, que morriam de saudade da terra onde eles nasceram. E o preso, quando se solta, fala de coração aberto, transmite um material
incrível para alguém que quer escrever ficção. Usei o recurso da ficção porque a realidade é dura demais”, falou Battisti sobre sua inspiração.

Ao falar sobre o massacre da mídia sobre o seu caso, Battisti reclamou sobre o rotulo de terrorista italiano durante todo o tempo em que esteve detido. “Eu não sou a pessoa que foi apresentada pela grande mídia tendenciosa. Eu sou escritor, e faço atividades sociais, fiz muito na França, por exemplo”, disse o italiano.

Atualmente, Cesare Battisti vive no Rio de Janeiro e pretende trabalhar com comunidades carentes, como fazia na França. Revelou estar organizando projetos sociais em três favelas cariocas – Pavão-Pavãozinho, Cantagalo e Cidade de Deus.

Fonte: Editorial do Surgente número 1201 - 02/02/2012.

Surgente é um semanário do Sindipetro-RJ.

Foto: Samuel Tosta.

www.sindipetro.org.br
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