FSM / Cúpula dos Povos

FST-2012: Propostas para um novo mundo

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Terça, 07 Fevereiro 2012
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 Petroleiros levam a luta contra os leilões para Fórum Social Temático

O Sindipetro-RJ teve presença marcante no Fórum Social Temático realizado na região metropolitana de Porto Alegre. Além da tradicional banquinha da campanha O Petróleo Tem que Ser Nosso que distribuiu materiais para diversas entidades, de vários lugares do mundo, o Sindicato produziu um jornal trilingue específico para os temas em debate no FST: crise capitalista, justiça social e ambiental.
 
Além de presente nas principais atividades, como a marcha de abertura e a reunião de preparação da Cúpula dos Povos, o Sindipetro-RJ participou da reunião do conselho político nacional do Observatório do Pré-Sal, e  levou quatro debates ao evento, além de patrocinar a ida do escritor italiano Cesare Batisti para o pré-lançamento de seu livro, escrito no período de clausura no Brasil. O Mundo do trabalho e a luta por uma aposentadoria digna; Petróleo e desenvolvimento sustentável; Os 10% do PIB e a renda do petróleo na construção do financiamento público para a educação e Os impactos da atividade petroleira foram os temas dos debates. Em breve, os melhores momentos do FST estarão na Tv Petroleira.

A presidenta Dilma Rousseff esteve presente em Porto Alegre e falou para cerca de quatro mil pessoas sobre a união entre “aceleração da economia” e “sustentabilidade”. Ela fez duras críticas às medidas de austeridade econômica adotadas na Europa por gerarem desigualdades sociais e desemprego. Apesar dos aplausos, o coro “veta Dilma”, em referencia ao Código Florestal, se fez ouvir durante boa parte do evento, realizado no Gigantinho.

“Espero que a gente consiga transformar o Rio de Janeiro numa grande caixa de ressonância”, afirmou o teólogo Leonardo Boff em referência à Cúpula dos Povos, que vai acontecer junto com a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, no mês de junho. No debate Cidades Sustentáveis, com Frei Betto, Marina Silva, Ladislaw Dowbor e Jorge Abrahão,o teólogo chamou atenção para as falsas propostas de sustentabilidade,que não levam em conta as injustiças sociais.

5 DE JUNHO: jornada mundial em defesa do meio ambiente e contra as transnacionais

Essa foi uma das decisões do Fórum Social Temático 2012

O Fórum Social Temático, realizado na região metropolitana de Porto Alegre (RS), foi um importante momento de troca de ideias, diálogos e articulações políticas entre redes internacionais e articulações sociais.

A organização do evento divulgou que mais de dez mil pessoas se inscreveram, de 38 países, sendo que 56% eram mulheres e 38%, jovens com menos de 29 anos. Foram realizadas cerca de 670 atividades das mais de 800 inscritas. O próximo FST será em Porto Alegre em 2014.

Uma das atividades mais importantes foi a Plenária Rumo à Rio + 20 dos Povos, uma assembleia internacional dos movimentos sociais, que reuniu cerca de 1500 pessoas de 30 países na Usina do Gasômetro. Na pauta, a plataforma conjunta das entidades para a Cúpula dos Povos por Justiça Social e Ambiental, que acontecerá durante à Rio+20, programada para junho de 2012.

O dirigente do MST nacional João Pedro Stédile, afirmou a importância de projetos alternativos ao sistema capitalista: “pregar o socialismo não resolve, a população precisa comer, estudar.” Ele denunciou que os principais inimigos do povo nessa etapa do capitalismo, são o capital financeiro, as empresas transnacionais, e os processos de militarização e repressão que ocorrem no país. E defendeu a necessidade do movimento social ser mais criativo e combater os monopólios da comunicação, que distorcem os reais motivos da crise e são porta-vozes dos interesses transnacionais. Em sua avaliação, estamos na mais grave crise econômica da história e o poder político está nas mãos do capital, mas “as massas de trabalhadores estão apáticas”.

Na carta final do encontro, as entidades afirmam que “a tentativa de esverdeamento do capitalismo, acompanhada pela imposição de novos instrumentos da ‘economia verde’, é um alerta para que nós, dos movimentos sociais, reforcemos a resistência e assumamos o protagonismo na construção de verdadeiras alternativas à crise”.

SANGRIA DE RECURSOS - No mesmo dia em que aconteciam os primeiros debates sobre a crise capitalista no Fórum, a imprensa divulgou que a remessa de lucros das empresas estrangeiras com subsidiárias no Brasil foi a maior em 64
anos. As filiais das transnacionais remeteram US$38,1 bilhões para suas matrizes, 25% a mais que no ano anterior. O investimento estrangeiro no Brasil é cada dia mais escasso e hoje as filiais brasileiras equilibram as contas das transnacionais em seus países de origem.

CONEXÕES GLOBAIS - Junto com o FST 2012, aconteceram diversos eventos paralelos, entre eles o Fórum Mundial de
Educação, o III Fórum Mundial de Mídia Livre e o Conexões Globais 2.0, que reuniu o maior número de pessoas: cerca
de 10 mil ao vivo e mais de 100 mil que acompanharam o evento pela internet via redes sociais.

O Conexões Globais 2.0 ocupou a Casa de Cultura Mario Quintana, um dos espaços culturais emblemáticos da capital gaúcha. Um dos principais objetivos do evento era debater a reinvenção da democracia, cultura e liberdade na internet. Seu foco foi a crise do capitalismo, nas novas mídias, nas manifestações sociais e culturais e na busca de novas relações entre os seres humanos. O Conexões Globais promoveu encontros entre a cultura popular e a cultura digital, através de debates, oficinas, shows, literatura, cinema livre, grafitagem, bicicletada, artes plásticas originadas de lixos eletrônicos, fotografia e outras formas de expressão.

Alguns debates foram realizados com a participação de pessoas em outros países, via internet, através de telão, como ativistas do Occupy London, Occupy Wall Street e da Primavera Árabe, que lutam pela possibilidade de uma nova democracia. O evento promoveu, com sucesso, o diálogo sobre as possibilidades de mobilizações através da rede e de mídias sociais, com a premissa de que todas as pessoas possuem direito à comunicação, à liberdade de expressão e acesso à informação por qualquer veículo.

FÓRUM MUNDIAL DE EDUCAÇÃO –  O FME reuniu educadores de várias partes do planeta para analisar as causas, o impacto e as consequências da crise capitalista. Entre os objetivos, refletir como  posicionar a educação rumo a uma sociedade mais justa e sustentável, como prioridade e responsabilidade de toda a sociedade e situar a luta pelo direito á educação no contexto da crise do modelo civilizatório, promovendo a cidadania ativa e a resistência ao modelo imposto pelos organismos internacionais. E reconhecer que a democratização do saber é um modelo básico na democratização da sociedade. A crescente privatização do setor preocupa os educadores.

FÓRUM DE MÍDIA LIVRE  - No documento final do III FML,  os participantes afirmam que “a comunicação assume papel central nas lutas ao redor do mundo, como se tem visto na Primavera Árabe, no movimento dos indignados e de ocupações públicas e que, ao mesmo tempo, surgem ameaças de cerceamento à liberdade de expressão com medidas de controle da internet, a exemplo dos projetos SOPA e PIPA em discussão nos Estados Unidos, e da Lei Azeredo, o “AI-5 Digital” no Brasil; violações de direitos na mídia e criminalização das rádios comunitárias e dos movimentos sociais, como no caso da desocupação violenta da área do Pinheirinho, na cidade de São José dos Campos; conclamamos todos a se unirem em torno da luta pela democratização da comunicação.(...) É preciso reconhecer a comunicação não como mera ferramenta, mas compreender a sua potência mobilizadora, essencial à organização política. Objetivo central desse esforço é estabelecer de fato um contraponto à mídia comercial e hegemônica, não só no que diz respeito ao que é veiculado, mas sobretudo quanto à apropriação pela sociedade dos meios de acesso, produção, difusão e distribuição de informação e cultura”.

Fonte: Editorial do Surgente número 1201 - 02/02/2012.

Surgente é um semanário do Sindipetro-RJ.

Fotos: Samuel Tosta.


www.sindipetro.org.br
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