FSM / Cúpula dos Povos

FST-2012: Os perigosos impactos da atividade petroleira

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Terça, 07 Fevereiro 2012
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O Fórum Social Temático reuniu representantes do Greenpeace Brasil, do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase), do Sindicato dos Petroleiros do Rio de Janeiro (Sindipetro-RJ), e da Associação dos Engenheiros da Petrobras (Aepet), para discutir os impactos das atividades petroleiras. O debate, realizado no auditório da Escola de Engenharia da UFRGS, foi pautado nos custos da exploração do pré-sal e na ausência de uma política que incentive o uso de energias renováveis e limpas
 
Em defesa de uma mudança radical na forma como a energia é produzida, distribuída e consumida, a representante do Greenpeace Leandra Gonçalves, alertou para a nossa dependência da exploração dos recursos naturais não-renováveis. “Aproximadamente 70% dos investimentos para gerar energia são destinados para atividades de consumo de combustíveis fósseis poluentes”, diz a representante do Greenpeace.

E com a descoberta do pré-sal, segundo Leandra Gonçalves, há uma preocupação de eternizar essa dependência. As estimativas mostram que as emissões de dióxido de carbono (CO2) provenientes da exploração da camada do pré-sal podem ser iguais ou maiores do que o desmatamento da Amazônia inteira, “ameaçando a biodiversidade e o nosso futuro aqui na Terra”, declara. Leandra completa observando que, “desde a descoberta do petróleo na camada do pré-sal brasileiro, a sociedade ainda não teve a oportunidade de refletir e debater essa atividade de exploração e os impactos para a biodiversidade marinha, para as comunidades costeiras e para a sociedade em geral. A sociedade está sendo privada de uma discussão de políticas públicas que questiona que modelo de desenvolvimento queremos”.



Por sua vez, Cândido Grysbowski (diretor geral do Ibase), avalia que, apesar da crise civilizatória não se limitar ao petróleo, o modelo está cada vez mais dependente desta fonte de energia, “ele é o motor do atual modelo político e econômico vigente no planeta. As cidades são construídas para consumir cada vez mais petróleo e não se discute se precisa ter mais ou menos controle sobre a atividade de exploração”. O diretor do Ibase garante não ser contra a atividade petroleira, mas defende a necessidade de repensar a geopolítica mundial do petróleo. “Estamos no limite. Há um grande risco de afetar a integridade do planeta”, alerta Cândido.

Ao reconhecer os impactos da indústria do petróleo, o diretor do Sindipetro-RJ Edison Munhoz, denunciou a situação dos municípios produtores de petróleo, a falta de infraestrutura, a precarização do trabalho a que estão submetidos os petroleiros, e os danos ambientais e sociais causados pela ambição da exploração do petróleo. Mas defende que “é possível gerar emprego verde e sustentável nas atividades petroleiras e pensar numa atividade de exploração mais responsável, comprometida com a defesa do meio ambiente”.

Já o presidente da Aepet Fernando Siqueira, defendeu a estrutura desenvolvimentista em cima do petróleo, como uma alternativa para gerar recursos para investir em energias limpas. “Para substituir a atual fonte de energia para energias alternativas, exige um tempo de 20, 30 anos. Podemos articular essa transição energética através dos recursos do pré-sal. Sem dúvidas, o Brasil é o país com maior capacidade de substituir a energia”, finaliza Siqueira.

O debate foi encerrado com a participação do grupo de teatro do Sindipetro-RJ, com uma bem humorada esquete sobre a campanha O Petróleo Tem que Ser Nosso.

Fonte: Surgente número 1201 - 02/02/2012.

Surgente é um semanário do Sindipetro-RJ.

Foto: Samuel Tosta.

www.sindipetro.org.br
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