Internacional

Mídia internacional repercute "escândalo" da carne brasileira

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Segunda, 20 Março 2017
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A 'Carne Fraca', operação que a Polícia Federal  tratou como a "maior da história da corporação" para atrair a atenção de toda a mídia nacional, já ultrapassou as fronteiras e provocou danos à imagem do País no exterior.

 

Imagem: Agência Brasil

Antes de Europa e países asiáticos pedirem a suspensão da importação do produto brasileiro, a mídia internacional repercutiu em todas os canais possíveis o "escândalo da carne podre".

O New York Times, por exemplo, escreveu que o episódio "lança dúvidas sobre a indústria do agronegócio no Brasil, um pilar relativamente firme da fraca economia do país" e avaliou a investigação da PF como um "golpe" na economia nacional, que tem "lutado para se recuperar de escândalos colossais na Petrobras, a companhia nacional do petróleo, e na Odebrecht, uma construtora gigante."

 O jornal ainda mencionou o vínculo do PMDB, "partido do presidente Michel Temer", com o esquema de pagamento de propina para evitar fiscalização do Ministério da Agricultura nas empresas produtoras de carne.

 O Financial Times levantou dúvidas sobre o futuro da indústria da carne no Brasil após o escândalo. "A investigação - que a polícia afirma ter envolvimento de fiscais da saúde e políticos do Partido do Movimento Democrático Brasileiro recebendo propina das empresas - vai levantar preocupações sobre a indústria da carne brasileira, que ascendeu na última década para se tornar uma das mais importantes do mundo", publicou o jornal.

O The Telegraph citou as acusações de corrupção para "manter a carne podre no mercado". "Empresas brasileiras 'subornaram fiscais para manter carne podre no mercado' e se envolveram em investigação de corrupção", dizia a manchete. 

"Brasil investiga gigantes de alimentos que estariam vendendo carne podre", manchetou a CNN, emissora que transmite conteúdo para o mundo todo. "Gigantes indústrias de carne do Brasil são alvo em investigação sobre corrupção", cravou o Washington Post.

Na última sexta (17), a Polícia Federal, capitaneada pelo delegado Maurício Grillo - licenciado da Lava Jato - convocou a imprensa para lançar a operação Carne Fraca. Os oficiais disseram que, em dois anos de investigação, teriam colhidos algumas evidências de esquema de pagamento de propina que mascarava a venda interna e exportação de produto adulterado.

Na ocasião, o delegado Grillo se negou a informar quais empresas foram investigadas. Ele disse que aguardava que algumas prisões levassem a força-tarefa a alguns "colaboradores" que pudessem prestar mais esclarecimentos.

Nesta segunda (20), a Folha de S. Paulo revelou que a PF só fez perícia em apenas um frigorífico, ao longo desses dois anos. Enquanto isso, empresas administradas pela JBS e BRF, como Sadia, Perdigão, Friboi e Seara, tiveram de comprar espaço em veículos de comunicação para informar que não compactuam com qualquer ato que coloque a qualidade de seus produtos em xeque.

Jornais também passaram a publicar entrevistas com especialistas desmitificando alguns dos pontos levantados pela PF. Entre eles, o uso de substâncias que a corporação taxou de cancerígenas. Segundo especialistas, as substâncias usadas são legais desde que respeitem os níveis e critérios estabelecidos em lei. Como a PF não aprofundou as perícias, ainda não é possível saber se as evidências colhidas provam os crimes anunciados.

  

Com informações da BBC Brasil

 

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