Meio Ambiente

Ecóloga fala sobre as lições a serem aprendidas do desastre do Rio Doce

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Terça, 16 Fevereiro 2016
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Três meses depois que as barragens se romperam especialista explica o que pode ser feito para evitar que o desastre se repita. 

A reportagem foi publicada por EcoDebate, 12-02-2016.

Três meses após o maior desastre ambiental já visto no Brasil, o desastre do Rio Doce, que deixou uma mancha de destruição no meio do caminho com 17 mortos, 2 desaparecidos e a fauna do rio Doce destruída, a Ecóloga e Coordenadora do tema Biodiversidade do Instituto Socioambiental (ISA), Nurit Bensusan, conversou com oAmazônia Brasileira sobre as lições que esse desastre nos deu.

Segundo Nurit Bensusan, dentre as lições mais importantes que o desastre e a lama nos ensinaram estão:

• O processo de licenciamento ambiental é fragilizado e negligenciado ao longo dos últimos anos. Em Mariana, olicenciamento ambiental foi desrespeitado e as condicionantes que deveriam ser cumpridas, como o estabelecimento de um plano de emergência, foram deixadas de lado;

• O descumprimento dos códigos florestais, que vem acontecendo a muito tempo. A região da Bacia do Rio Doceestava, já antes da passagem da lama, muito degradada: Áreas de Preservação Permanente (APPs) e Reservas Legais não vinham sendo respeitadas há anos, o que dificultará a recuperação da área, devido ao desmatamento, o comprometimento da recarga dos aquíferos da região e o assoreamento dos rios;

• As questões ambientais não são prioritárias, sempre perdem para outros interesses como os da mineração, da especulação imobiliária, do agronegócio e da siderurgia;

• A existência de saneamento básico não é a regra e sim a exceção. Diversas cidades, como Governador Valadares, jogam esgoto ‘in natura’ no Rio Doce. Todos os tipos de rejeitos eram jogados historicamente no Rio Doce e em outros rios da bacia. A fiscalização era e ainda é deficitária. Alguns poluidores foram multados, mas em agosto do ano passado, o Estado de Minas Gerais aprovou uma lei anistiando as multas ambientais.

• A forma que o Estado brasileiro trata as populações que vivem diretamente dos recursos naturais. Calcula-se que a quantidade de peixes mortos superou 10 toneladas. Como viverão? Acredita-se que a recuperação do rio poderá levar mais de 10 anos;

• Como o Brasil lida com esse tipo de situação. As campanhas para que o resto do país enviasse água potável para a região do desastre foi muito interessante, entretanto a obrigação de garantir a água para as populações afetadas pelo desastre é da empresa responsável pela catástrofe, a Samarco e o governo brasileiro não fez as devidas cobranças.

• Uma lição importante, foi sobre a nossa ignorância. As pessoas pouco sabem sobre a biodiversidade marinha brasileira e quais serão os impactos dessa lama, sobre a biodiversidade.

De acordo com Nurit Bensusan, apesar das lições recebidas, o Brasil não tem aprendido com elas: “vemos essa falta de aprendizagem em situações posteriores ao desastre de Mariana, em relação ao licenciamento ambiental, a complacência com a poluição, a anistia das multas ambientais, com a falta de saneamento básico, as empresas que vem driblando todas as regras ambientais e fazendo o que querem e toda uma complacência dos órgãos ambientais em relação a esse tipo de desastre e muitos outros”, e complementa: “Hoje temos, tramitando no Congresso nacional, um Projeto de Lei do Senado para transformar o processo de licenciamento ambiental para grandes obras num rito mais sumário, ou seja, em 8 meses, todo o licenciamento ambiental teria que acontecer e se o órgão ambiental não conseguisse se posicionar nesses 8 meses, o consentimento seria dado, automaticamente”.

“Nós não podemos esquecer o que aconteceu em Mariana, a gente tem que voltar a bater nessa tecla, insistentemente. E precisamos que tanto a empresa responsável pelo desastre de Mariana, a Samarco, seja responsabilizada, mas também os órgãos ambientais que falharam em fiscalizar”, alertou Nurit Bensusan.

O Amazônia Brasileira conversou com a Ecóloga e Coordenadora do tema Biodiversidade do Instituto Socioambiental (ISA), Nurit Bensusan, sobre as lições que o desastre do Rio Doce trouxe ao Brasil.

Para ouvir no seu player e/ou fazer o download do arquivo MP3, clique aqui.

Fonte: Portal Eco Debate

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