Movimentos Sociais

Explosão de luzes na Central do Brasil

Imprimir
Quarta, 30 Março 2016
Acessos: 1227
Compartilhar

Centenas de artistas, realizadores, produtores, técnicos e estudantes de cinema se reuniram nas portas da Estação Central do Brasil para defender a democracia e o Estado de Direito no país na noite desta terça-feira, 29 de março.

Mídia Ninja

 

Mídia Ninja

As luzes da sétima arte nacional ganharam as paredes do centro do Rio e uma tela iluminava o caminho dos milhares de trabalhadores que passavam. Cenário mítico da cinematografia brasileira, lugar do grande comício de Jango pelas reformas, a Central foi escolhida pelo setor audiovisual justamente para provocar um diálogo amplo e popular na cidade diante da crise que abala o Brasil e ameaça a estabilidade institucional do país.

Com o avanço do processo ilegal de impeachment conduzido pelo réu Eduardo Cunha na Câmara dos Deputados, frente a todos os retrocessos já sinalizados pelos golpistas que pretendem sequestrar o Estado e diante do obscurantismo que assombra o país propagando preconceitos e multiplicando a violência política e a intolerância, o audiovisual colocou o bloco na rua para defender as conquistas de década vitoriosa de políticas públicas que fizeram a produção brasileira sair de menos de 10 longas ao ano no começo dos anos 2000 para produzir hoje quase duas centenas de longas ao ano.

Para o cinema brasileiro, é a cultura quem pode e deve assumir o protagonismo do debate, colaborando com a superação dos impasses conjunturais e buscando uma correção de rumos no processo político profundamente contaminado pela partidarização da justiça e da mídia. Assegurar o respeito ao voto popular, ampliar a participação social e permitir muito mais representatividade é o desejo expresso não apenas pelo cinema brasileiro como também por amplos setores de nossa sociedade. Já são dezenas de artistas engajados na campanha pela legalidade democrática nas redes sociais e a quantidade de vídeos e manifestos se multiplica a cada dia.

Os profissionais da cultura e da comunicação presentes na Central do Brasil criticaram com vigor a manipulação midiática, a partidarização do judiciário e a guerra narrativa permanente feita pelos setores mais conservadores e preconceituosos contra a estabilidade das instituições democráticas com o estímulo inaceitável do ódio político.

A violência fascista que saiu do armário no país e contaminou os meios hegemônicos transformando o próprio jornalismo em propaganda de ódio, além de envergonhar a sociedade, coloca em risco a própria democracia ao dinamitar valores como a pluralidade de ideias e a convivência, reduzindo telespectadores e leitores dos veículos golpistas apenas a xingamentos e agressividade sem qualquer proposta. É a cultura o elemento que qualifica a democracia e permite a criatividade colaborar com a invenção de saídas na construção de um futuro comum e compartilhado por todos.

Os tempos são outros! "2016 não é 1964", lembravam os presentes ao ato CINEMA PELA DEMOCRACIA. A classe artística e a cultura brasileira não toleram um golpe parlamentar contra o voto popular em pleno início de século XXI, não admitem nenhum passo atrás na redução de nossa desumana desigualdade e não aceitam que se retirem direitos conquistados pelos mais pobres no Brasil.

Pelo que se viu na rua, a disposição de luta e resistência é imensa assim como a vontade de avançar na popularização do próprio audiovisual e na democratização dos meios de comunicação no país, condições necessárias ao avanço da própria democracia. Vai ter luta e diversidade de ideias iluminando o imaginário de nossa terra em transe.

Fonte: Mídia Ninja

Compartilhar

Copyright © 2019 Agência Petroleira de Notícias. Todos os direitos reservados.
Joomla! é um software livre com licença GNU/GPL v2.0

Av. Presidente Vargas, 502, 7º andar, Centro, Rio de Janeiro - RJ, CEP 20010-000 • (21) 2508-8878 Onlink.