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Novo código de conduta da Petrobrás deixa brechas para atos ilícitos da direção

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Quarta, 10 Maio 2017
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Será Pedro Parente um soberano intocável ou será que o novo código de conduta é para punir trabalhadores?

Por Federação Nacional dos Petroleiros

 

Muitos dizem que uma pessoa é definida pelas suas ações. Se partirmos do princípio de que este conceito é verdadeiro, podemos dizer que o atual presidente da Petrobrás, o senhor Pedro Parente, cuja reputação é amplamente documentada em escândalos, é um homem de caráter duvidoso. No mínimo, podemos pensar que é um profissional com grande experiência em liquidar capital de empresas geradoras de emprego. Mas, Parente sabe muito bem disso, só tem amnésia interessada.

Assim que foi nomeado por Michel Temer ao cargo de presidente da Petrobrás, em maio de 2016, Parente anunciou que a companhia iria cumprir metas estabelecidas com redução de custos operacionais. Em bom português, isso significa desmontar a empresa custe o que custar.

Na realidade, a proposta do atual do presidente é acabar com um dos instrumentos de autonomia do país e propõe um atraso na economia, transformando-nos em meros entregadores de óleo bruto e deixando todos os efeitos positivos da cadeia produtiva do setor de petróleo e gás vazem para as sedes dos conglomerados transnacionais.

No auge do cinismo, a direção da empresa divulgou um código de conduta, intitulado “COMPLIANCE” que, segundo Marise Barreto, gerente geral de Gestão da Conformidade e do Programa de Prevenção da Corrupção, visa combater a corrupção na Petrobrás. “Construímos um código de conduta que substitui o de ética, que estava defasado, para orientar o comportamento da empresa”, afirmou a gerente. Cascata!

Pedro Parente ampliou de forma agressiva a entrega da Petrobrás com as vendas de ativos, SEM LICITAÇÃO. Ele escolhe a dedo para qual empresa estrangeira vai entregar o ativo da Petrobrás, “a preço de banana”, violando a leis nacionais, que exigem licitação para a venda de ativos de empresas públicas ou de capital misto.

Além disso, por qual motivo o “COMPLIANCE” não apura a fraude por trás da venda de Baúna e Tartaruga Verde para a empresa Australiana Karoon, cujo capital social é menor do que o valor dos dois campos juntos? Será que a equipe do código de conduta está fingindo que não vê a fraude ou são incompetentes mesmo?

Pelo que parece, as corrupções que deram origem a Lava Jato continuam a todo vapor com Pedro Parente na direção da empresa. É no mínimo intrigante a falta de interesse do próprio investigador da Lava Jato e da equipe do “COMPLIANCE” em averiguar todas as denúncias contra o atual presidente da Petrobrás.

Isso nos leva a crer que a direção da companhia está vendendo uma imagem de estar cumprindo um programa anticorrupção, porém, não cumpre as leis do próprio país.

Mas, não podemos generalizar e afirmar que o tal “COMPLIANCE” não serve para nada e ignorar o grande serviço que ele tem prestado a direção da empresa como agente de manutenção e de controle da empresa. Por meio deste instrumento, a gerencia da Petrobrás está reprimindo os trabalhadores para que não saiam da linha de conduta ditada no programa “COMPLIANCE”.

Uma ferramenta eficaz utilizada com intuito de controlar e punir o trabalhador, pois aquele que a gerência considerar como “infrator”, ou melhor dizendo, aquele que não esteja enquadrado no regime de regras do “COMPLIANCE” pode ser demitido por justa causa. Alguns trabalhadores já estão sendo punidos com esta justificativa.

Uma simples reflexão nos leva a crer que o “COMPLIANCE” representa, assim, um mecanismo de repressão adaptado para punir o trabalhador, quando, na verdade, deveria estar investigando o senhor Pedro Parente e as suas investidas em transações ilícitas. Ou será que Parente é soberano e intocável?

O crime pode ser muito maior

Segundo informações divulgadas por Edward Snowden numa carta aos jornalistas, em 2013, a Austrália compunha um grupo, intitulado “Cinco Olhos”, cujo governo dos Estados Unidos era o principal membro, ao lado ainda do Reino Unido, Canadá e Nova Zelândia.

Na carta, Snowden tentava explicar que os membros dos “Cinco Olhos” estariam envolvidos em conspiração com países clientes, impondo ao mundo um sistema de vigilância secreta e abrangente.

Edward Snowden, hoje exilado na Rússia, ficou conhecido por denunciar atos de espionagem da Agência de Segurança Nacional (NSA) dos Estados Unidos. Na época, o jornal britânico The Guardian publicou diversas matérias sobre o assunto. Snowden também chegou a informar que a presidenta Dilma e a Petrobrás foram um dos alvos de espionagem da NSA.

Então, fica a dúvida: será que há alguma ligação entre a insistência de Pedro Parente em vender um dos ativos de grande valor para um membro dos “Cinco Olhos”? Não seria um caso a ser investigado? Um motivo para afastar Parente da presidência? O que falta para o “COMPLIANCE” ou a Lava Jato agirem? Coincidência ou não, as dúvidas pairam no ar.

 

 

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