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Caravana Petroleira marca presença no ato histórico em Brasília

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Sexta, 26 Maio 2017
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Grupo que reuniu petroleiros, estivadores e integrantes de movimentos sociais participou da marcha histórica de Brasilia contra o governo de Michel Temer e ainda foi alvo da violência policial.

Imagem: André Lobão

O Sindipetro-RJ sendo coerente com seu histórico de lutas na defesa da categoria petroleira e dos trabalhadores e trabalhadoras do Brasil participou da Manifestação Nacional organizada por centrais sindicais e movimento social realizada em Brasília na última quarta-feira (24), que reuniu mais de 200 mil pessoas pelo ‘#ForaTemer’.

Formada por 4 ônibus a ‘Caravana Petroleira’ saiu do Centro do Rio de Janeiro, Caxias e Angra dos Reis Janeiro na manhã desta terça-feira (23), após a realização de um ato em frente ao edifício sede da Petrobrás – EDISE.

“A defesa da Petrobrás é um dos pontos fundamentais da nossa participação nessa jornada de luta. Por isso, realizamos este ato aqui antes de irmos para a grande marcha de Brasília com a participação de petroleiros, do ’SOS Emprego’ e demais integrantes dos movimentos sociais. Os trabalhadores efetivos da Petrobrás, assim como os terceirizados sofrem com essa política de desmonte da  empresa  que está sendo feita sob as ordens desse governo corrupto do Temer. Não podemos permitir a entrega das nossas estatais para o capital privado, e vamos de todo jeito resistir a essas reformas , a privatização da Petrobrás e de outras estatais” – disse Eduardo Henrique , diretor do Sindipetro-RJ e futuro integrante da nova diretoria do sindicato dos petroleiros que será empossada no próximo dia 1º de junho.

Com um número aproximado de 250 pessoas a ‘Caravana Petroleira’ pegou a estrada em direção à Brasília para participar de um dia histórico que envolve tantas lutas, como da questão de gênero.

“Além de defender a questão da mulher nós precisamos nos colocar na questão trabalhista e previdenciária já que as mulheres serão as mais prejudicadas com a possível aprovação dessas reformas. Diante desse quadro que vivenciamos hoje é preciso dizer ‘Fora Temer’” – falou Verônica Inácio, petroleira de Angra dos Reis.

Chegada em Brasília

Apesar do cansaço após quase 20 horas de viagem a ‘Caravana Petroleira ‘ chegou à capital federal às 07:30 da manhã de quarta (24) com muita animação e disposição. Além do Estado do Rio de Janeiro, petroleiros de outros estados chegavam à concentração do ato que estava centralizada no Estádio Nacional de Brasília (Mané Garrincha).

“Os petroleiros da Região Amazônica que engloba os estados do Amazonas, Amapá, Pará e Maranhão estão aqui para reafirmar o seu descontentamento com esse governo corrupto e entreguista. Esse é um momento de enfrentamento, esse Congresso corrupto quer colocar outro presidente, provavelmente mais corrupto ainda no lugar do Temer. Então participamos deste ato para mostrar que a categoria petroleira entende que a classe trabalhadora esteja a frente desse processo de mudança política no país” – explicou o petroleiro Bruno Terribas, diretor de Comunicação do Sindipetro- PA/AM/MA/AP.

A saída da marcha em direção à Esplanada dos Ministérios aconteceu por volta das 11:30. Vários carros de som puxavam  os manifestantes que ficaram divididos em grandes  blocos que formavam colunas de diversas categorias com o discurso único.

“Se o povo não se unir a gente dança. A política do patrão que está aí é muito clara: retirar direitos dos trabalhadores. Precisamos nos unir contra isso que está sendo colocado em pratica. A população está vindo para as ruas, o que não pode acontecer é ficarmos parados e passivos esperando o mundo acabar. O momento é de mobilização e vamos sacudir aquela Praça dos Três Poderes!” – conclamava o petroleiro Silvio Sinedino, também  apoiador da chapa que venceu as recentes eleições no sindicato dos petroleiros cariocas a ‘Mudar o Sindipetro-RJ’.

Repressão policial

A polícia cercou o Congresso para impedir o acesso da manifestação e iniciaram a repressão ainda na Esplanada dos Ministérios. As cenas de guerra no Planalto circularam o mundo.

Mais uma vez, a manifestação foi violentamente reprimida, tanto pela PM como pela Força Nacional de Segurança, que não permitiram que os manifestantes chegassem de forma pacífica, na frente do Congresso Nacional.

 “Foram umas 4 horas de bomba de gás e spray de pimenta pra tudo que é lado, balas de borracha, até a cavalaria avançou em um momento que achei que a coisa piorasse quando ainda  apareceu o exército. A nossa linha de frente aguentou  heroicamente, os menos preparados se revezando no apoio e dezenas de milhares de pessoas, de diversas organizações, pelo gramado, respirando gás e ares da revolução.  O ritmo era de avançar e recuar, barricadas, incêndios, gente machucada, vomitando, lacrimejando, exausta, mas sem arredar pé.  Fomos lá gritar contra as contrarreformas e a privatização da Petrobrás, em curso desde FHC, Lula, Dilma... e agora Temer e Parente chegam pra tentar jogar a pá de cal” – descreveu  Eduardo Henrique.

PM de Brasília “sequestra”  integrante da Caravana Petroleira

Já no aguardo da volta para o Rio de Janeiro, o baleiro Josimar Félix Oliveira, integrante da Caravana Petroleira foi literalmente sequestrado por integrantes da Policia Militar do Distrito Federal.

Por volta de 19:15 dois carros da ROTAM (Ronda Ostensiva Tática Metropolitana) chegaram com policiais da PMDF. “Mão pro alto todo mundo!”, esbraveja um dos oito integrantes da equipe apontando a pistola para um grupo de aproximadamente 30 pessoas. “É você mesmo, nós queremos ele é vamos levá-lo!” – gritou um oficial ao deter Josimar , em uma escolha claramente aleatória, como numa roleta russa.

“Ele tem um chapéu, a câmera pegou, ele tem um chapéu, cadê?” – gritava um dos PMs já colocando um apavorado Josimar em um dos carros da ronda.

Naquele momento de medo e terror alguém encontra o seu chapéu de couro que havia caído durante a abordagem dos policiais. Minutos antes do episódio Josimar tinha comprado o mesmo chapéu em um barraqueiro que vendia lembranças do Nordeste nas imediações do Mané Garrincha.

Sob protestos, com registros de imagens e interpelações, os agentes da ROTAM informaram que o baleiro seria levado para a 5° DP do Distrito Federal. Para lá os dirigentes do Sindipetro-RJ se dirigiram com o suporte dos advogados voluntários, e nada encontraram. “Olha pra cá não tá vindo ninguém detido nesse ato de hoje. Todas as autuações estão sendo feitas na DPL, sede da Polícia Civil do Distrito Federal” – disse um escrivão da delegacia.

A essa altura temia-se pior. Que Josimar teria o mesmo fim de Rafael Braga, o jovem negro favelado acusado de terrorista no Rio de Janeiro por portar uma garrafa de desinfetante em sua mochila nos protestos de 2013. Ou fosse vítima de maus tratos e violência policial tão comum no Brasil de hoje.

No DPL, finalmente, o baleiro foi localizado. A alegação seria que fora detido por atentar contra a ordem pública, e que teria sido identificado visualmente, e posteriormente  localizado por câmeras e helicóptero da PM.Mas felizmente, essa estória acabou bem com a liberação do baleiro que foi solto por falta de provas.

 E assim, a Caravana Petroleira voltou ao seu destino e com a  sensação de dever comprido na defesa dos direitos trabalhistas e na luta em defesa do patrimônio brasileiro e da Petrobrás.

 

Por André Lobão - Agência Petroleira de Notícias I APN

 

 

 

 

 

 

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