Questões Urbanas

Protestos na festa da Copa

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Quinta, 04 Agosto 2011
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A festa para o sorteio das eliminatórias da Copa do Mundo de 2014 ficou cara para a população do Rio de Janeiro. O evento custou R$ 30 milhões, inteiramente pagos pela Prefeitura e pelo governo do estado do Rio

Em vista disso, torcedores dos mais diversos clubes de futebol do país, além das associações de moradores, Organizações Não-Governamentais, profissionais da educação e partidos políticos participaram do protesto no último sábado, dia 30, realizando uma passeata do Largo do Machado em direção à Marina da Glória, na zona sul carioca, onde ocorreu o sorteio. “Marcha por uma Copa do povo, fora Ricardo Teixeira!”, foi o nome dado pelos manifestantes. Eles pediam a saída de Ricardo Teixeira da CBF, o reajuste salarial para os professores do estado do Rio, além de reivindicarem a paralisação das remoções em comunidades realizadas pela Secretaria Municipal de Habitação para os jogos mundiais em 2014 e 2016.

Em relação às remoções, eles reclamaram das indenizações de baixo valor e da falta de pagamento do prometido aluguel-social.  Uma das manifestantes, Elisângela de Jesus dos Santos, relatou que teve sua casa desapropriada pela prefeitura em janeiro por conta da construção da Avenida Pavãozinho, no Pavão, na zona sul da cidade. “A Seop (Secretaria Especial de Ordem Pública) entrou na minha casa sem aviso prévio e sem nenhum comunicado. Só estava em casa a minha filha de 16 anos e minha sobrinha, de dois. Quando eu cheguei, as minhas coisas já estavam na rua, eles tinham quebrado os canos de água e a caixa d’água”, denunciou Elisângela.

 

 “Convocamos todos os clubes para nos manifestarmos. Somos totalmente contra as remoções que estão sendo feitas na cidade do Rio de Janeiro. Elas estão sendo feitas sem uma indenização adequada. Não se pode deixar famílias sem moradia e professor sem salário digno em nome de um megaevento esportivo do qual nós, que vivemos no Rio de Janeiro, não poderemos participar”, afirmou o presidente da Frente Nacional dos Torcedores (FNT), João Marques. Torcedores de diversos clubes do Brasil foram ao ato  e se mostraram preocupados com a elitização do espetáculo futebolístico: “Temos medo que depois da Copa do Mundo seja impraticável futebol para os populistas. Nossa luta é pelo futebol do povo. Ingresso a preços populares, que no Brasil estão cada vez mais caros. Nós acreditamos que o responsável por isso é o Ricardo Teixeira”, declarou um torcedor do Vasco da Gama.

Segundo o jornalista Milton Temer, presente no ato, é inadmissível que a presidente Dilma tenha conhecimento da suspensão de vôo no aeroporto Santos Dumont, que foi fechado para não atrapalhar as transmissões televisivas para o sorteio da Copa. “Um país soberano entregar sua soberania a uma empresa privada [FIFA] denunciada por um âmbito de corrupção. Existe uma soberania da FIFA sobre o Brasil, sendo a FIFA o que ela é, é a supressão do país a uma formação de quadrilha. O governador aproveita isso para fazer o jogo dos interesses que eles defendem. As remoções, por exemplo, têm sido feitas de forma criminosa”, afirmou Temer.

Já para o sociólogo Renato Cinco, um dos membros do Comitê Popular da Copa e das Olimpíadas do Rio, o objetivo é debater a transparência dos serviços públicos e os direitos das pessoas atingidas pelas remoções. “É preciso questionar qual é o legado que vai ficar para a população depois da Copa”,concluiu Cinco.

“Enquanto o governo gastou mais de R$ 30 milhões, os funcionários administrativos da educação pública recebem um piso inferior a um salário mínimo”

Em declaração ao Fazendo Media, a coordenadora geral do Sindicato estadual dos Profissionais da Educação (Sepe), Vera Nepomuceno, afirmou que a categoria há três anos não recebe reajuste salarial, e agora os professores estão sendo coagidos pelo governo de serem  substituídos por professores contratados. A categoria luta pelo descongelamento do plano de carreira, uma reposição de inflação emergencial de 26%.


“Existem alguns diretores de escolas telefonando para os professores dizendo que se ele não retornar as aulas, o Governo do estado irá contratar professores. Esses diretores, que recentemente receberam gratificação de mais de 100%, estão exercendo o papel de capitão do mato contra os grevistas, por isso nós queremos eleição para os diretores das escolas. Diretor da escola não é cargo de confiança do governo. Ele precisa é ser íntegro com a comunidade da escola”, afirmou Vera.

No final do ato, manifestantes fecharam a pista sentido zona sul do Aterro do Flamengo, onde teve uma pequena confusão com a polícia. Mas ninguém saiu ferido nem foi preso. Policiais militares estimam que cerca de 700 pessoas participaram do protesto. No dia 13 de agosto será a vez de São Paulo receber a marcha, que partirá do Masp (Museu de Arte de São Paulo).

Fonte: Gabriel Bernardo/ Blog Fazendo Media (www.fazendomedia.com)

Fotos: Samuel Tosta