Questões Urbanas

UPP inaugura ocupação militar da Rocinha

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Terça, 25 Setembro 2012
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Os dados a seguir são reproduzidos da Revista Brasil Atual e da página eletrônica da Causa Operária

O que se questiona é se as UPPs servem para proteger a sociedade ou vigiar os pobres.

A vigésima oitava Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Rio de Janeiro, foi instalada essa semana, dia 20, numa das maiores favelas da América Latina, a Rocinha.

A instalação da UPP na comunidade é a continuidade da verdadeira operação de guerra, precedida com ajuda do Batalhão de Operações Especiais (Bope), Batalhão de Choque e oficiais da Marinha há quase um ano atrás.

A favela já estava parcialmente ocupada pelas forças do Bope e da Polícia Militar, com um efetivo aproximado de 400 homens. No entanto, a inauguração dessa UPP que contará com nove bases distribuídas pela comunidade, com um efetivo de mais de 700 policiais, um amplo sistema de patrulha e monitoramento 24 horas, consolida a ocupação e permite que se forme um sistema de controle e vigilância muito maior contra os moradores.

“Os policiais da UPP da Rocinha contarão com a ajuda de 100 câmeras de monitoramento instaladas em toda a comunidade, além de 12 motocicletas, veículos considerados fundamentais para o patrulhamento das centenas de vielas que cortam a favela. O comando da UPP ficará a cargo do major Édson Raimundo dos Santos, o mesmo que comanda as ações desde o início da ocupação permanente pela polícia.” (Rede Brasil Atual, 24/9/2012).

Na avaliação de setores da esquerda brasileira, onde se destacam os movimentos pela moradia e partidos como a Causa Operária, “a instalação da base na Rocinha é parte de um plano para sitiar a cidade, isolando os bairros nobres das áreas pobres”.

A favela fica no coração da Zona do Sul e separa os bairros de Ipanema e Leblon da região de São Conrado e da Barra da Tijuca. Com a UPP na Rocinha, o governo pretende formar um corredor que ligaria os bairros da zona Sul e esta região. A matéria compara com a estratégia de ocupação de Bagdá, aplicada pelos Estados Unidos, modelo que teria inspirado o Estado do Rio de Janeiro.

No caso fluminense, a principal motivação seria favorecer a especulação imobiliária e reprimir a população. No entanto, outras experiências, como no Complexo do Alemão, vêm demonstrando que a população não está disposta a conviver com as arbitrariedades cometidas pelos militares nos morros, embora essa insatisfação seja filtrada pela maioria dos meios de comunicação, que apresentam as ocupações meramente como forma “bem sucedida” de combater o tráfico de drogas.

Na opinião de muitos moradores que convivem diretamente com o problema, o tráfico de drogas e outros crimes continuariam a existir, só que em outras mãos, muitas vezes controlados pela própria polícia. Também  há quem denuncie situações de abuso de poder, de violência e até de tortura, praticada por policiais nas comunidades ocupadas.

Já aconteceram manifestações de protesto e enfrentamentos em quase todas as favelas ocupadas, mas esses atos não encontram repercussão na mídia de maior alcance, restringindo-se à imprensa alternativa.

Fonte: Agência Petroleira de Notícias

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