Questões Urbanas

Educadores e a Copa do Mundo

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Quinta, 10 Julho 2014
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Artigo de Emanuel Cancella denuncia a perseguição aos profissionais da Educação no país da Copa*

 

O prefeito Eduardo Paes disse que se mataria se Argentina vencesse o Brasil e, ao mesmo tempo, dá continuidade à política de perseguição os professores do Rio, que chega ao cúmulo de publicar contra-cheques zerados. Isso mesmo! Com valor zero. A retaliação aos professores é por conta da última greve. Isso mostra a cabeça de nosso governante que supervaloriza o futebol e menospreza nossos educadores. E aí um amigo meu disse que o Brasil campeão não muda nada na nossa vida. E disse mais, que os mesmos brasileiros que se mobilizam na Copa indo aos estádios, reunidos em botecos, nos restaurantes, nos churrascos nas esquinas, estão se lixando para os nossos problemas sociais.

Percebemos por parte dos governantes, dos partidos políticos e da mídia uma tentativa de utilização da Copa além dos gramados. Inclusive os governos militares durante a ditadura foram mestres nessas manipulações. Garrastazu Médici, um dos generais presidentes, adorava ser filmado na arquibancada do Maracanã com radinho de pilha colado ao ouvido, na torcida do Flamengo. E veio do grande escritor Nelson Rodrigues falando dos exageros da Copa: “a pátria de chuteiras”.

Na antiguidade, os gregos tinham a política do pão e circo para iludir as massas. Agora querem usar a Copa do Mundo. O fato é que, enquanto os jogadores e o técnico da seleção ganham milhões, os professores do Rio recebem zero. E os políticos todos sem exceção dizem que a educação é prioridade do país. O dia em que conseguirmos a mesma mobilização da Copa nos nossos movimentos sociais, os governantes nunca mais tratarão os professores como faz o prefeito do Rio de Janeiro.

*Emanuel Cancella é diretor do Sindipetro-RJ.

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