Questões Urbanas

Méier tem sua primeira Feira da Rede de Economias Coletivas

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Terça, 28 Abril 2015
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No dia 11 de abril ocorreu na Praça Agripino Grieco, no Méier, a I Feira da Rede de Economias Coletivas. O objetivo principal era divulgar formas de produção, comércio e organização alternativas ao capitalismo. 

A Economia Coletiva tem como centro o ser humano, e não o lucro. Trata-se de uma prática que tem como princípios: Autogestão, Democracia, Solidariedade, Cooperação e Respeito à Natureza.

A cooperação e apoio mútuo entre os indivíduos para produção ou comercialização de alguma coisa – ou seja, com um objetivo comum – faz com que seja dispensável a existência do patrão. Desta forma, não há exploração do trabalho de ninguém (como numa empresa capitalista), pois todos se beneficiam da produção e não só o dono da empresa. Este, muitas vezes, trabalha menos que todos na empresa, mas deixa aos funcionários e empregados pequenos salários e fica com a maior parte do dinheiro proveniente da produção e/ou comércio.
Importante lembrar, no entanto, que a prática de grupos organizados em torno de princípios como autogestão e apoio mútuo – as Economias Coletivas - consistem em instrumentos de transformação social, onde os movimentos populares podem fortalecer suas lutas populares. Para uma vida e economia verdadeiramente coletivizadas é necessário que a sociedade como um todo rompa com o capitalismo.

Eram estes trabalhos e idéias que os grupos da Rede de Economias Coletivas buscaram divulgar na feira do dia 11 de abril no Méier. O “Grupo de Produção Coletiva”, da Comunidade Chico Mendes, levou para venda materiais de limpeza como sabão e detergente feito com óleo saturado, cloro, amaciante de roupas e desinfetante. Também venderam mel e o jornal Voz das Comunidades. Já a “Cooperativa Roça”, do morro do Timbau (Maré), expôs alimentos naturais e orgânicos como feijão, farinha, fubá, temperos e geléias produzidos por integrantes do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA); além disso, a cooperativa vendeu caldo verde e cerveja artesanal produzidos pelo próprio grupo – que, inclusive, ministraram uma oficina de como fazer cerveja em casa.

O “Movimento Passe Livre” (MPL) - Rio e Niterói - também marcou presença comercializando CDs do grupo Us Neguin Q Ñ C Kala, camisas e broches de líderes históricos das classes populares – como Zumbi dos Palmares - e de campanhas como da libertação de Rafael Braga (preso injustamente em 2013). O grupo “Bazar Du Bom”, do Centro de Cultura Social (CCS) do Morro dos Macacos e que tem apoio do Movimento de Organização de Base (MOB), vendeu roupas diversificadas como vestidos, camisas, calças, camisetas, casacos etc. Também na venda de roupas esteve o bazar “Preço Justo”, da Assembléia Popular do Grande Méier. O “Instituto de Estudos Libertários” (IEL) e o “Núcleo Pró-Federação Libertária”, com integrantes de diferentes localidades, montaram sua bancada com livros sobre Educação Libertária, Autogestão, Anarquismo social etc.

Mas a feira não teve apenas a exposição dos produtos feitos sem exploração do trabalho. Além da troca de idéias com os integrantes dos grupos que estavam nas bancadas, houve algumas atividades culturais. O grupo de teatro “Azeviche”, dos alunos do CIEP Joaquim de Freitas, em Queimados, apresentaram a peça “Gritaram-me Negra”, de Victória Santa cruz, que mostra como o racismo afeta a trajetória individual do negro na nossa sociedade. O Movimento Passe Livre fez uma atividade no entorno da feira, instigando a população que estava na Praça Agripino Grieco a refletir sobre as péssimas condições de mobilidade urbana e as possíveis causas para isto. Além desta atividade, também ouviram o que a população tinha a dizer sobre a “catraca”, que simboliza o empecilho que os patrões do transporte colocam ao nosso direito de ir e vir – só podemos nos deslocar se pagarmos 3,40.

Também estiveram no “palco” os grupos de poesia “Poetas Saia da Gaveta” e “Ratos Diversos”, mostrando suas eloqüentes poesias com algumas críticas à sociedade. Por fim, a “Assembléia Popular do Grande Méier” e o “Coletivo Projetação” passaram filmes – sobre a “Escola do Alto da Fontinha”, a “Fábrica Flaskô”, a cooperativa “ABC Coop” e a “Ocupação Utopia e Luta” – para debater temas como Autogestão e Gestão Operária, Educação, Moradia etc.

Na cobertura do evento, estiveram o Centro de Mídia Independente (CMI) e o coletivo “Das Lutas”, que foram fundamentais para divulgação da feira nos meios digitais. Na organização, mas sem exposição de produtos, estiveram ainda a Organização Popular e o grupo “Inimigos do Rei” (base do sindicato dos petroleiros).

Fonte: Jornal Voz das Comunidades, número 24

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