Questões Urbanas

UPP não produz paz e ainda aumenta a violência nas favelas do Catumbi

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Segunda, 18 Maio 2015
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Modelo de segurança pública que começou a ser implantado há cerca de seis anos, as Unidades Pacificadoras de Policiamento (UPP) foram anunciadas como a solução para garantir a paz nas favelas do Rio de Janeiro.

Recente disputa armada de território entre facções rivais do varejo do tráfico de drogas, em áreas de UPP na região do Catumbi, Zona Norte, mostrou, no entanto, a vulnerabilidade desse modelo.

Em apenas oito dias, até esta sexta-feira (15/5), houve o registro de 12 mortos em confrontos entre traficantes rivais ou entre os bandos e policiais militares.

Quadrilhas baseadas nas favelas do Morro do Fallet e do Fogueteiro, com participação do bando do Turano, protagonizaram a invasão ao Morro da Corôa, onde existe uma UPP que convive com bocas de fumo controladas por quadrilha da facção que atua no Morro do São Carlos. Pelo menos dois ônibus foram queimados, o que provocou efeitos desse conflito também no asfalto, na forma de horas de engarrafamento. Neste sábado, moradores das favelas da região interditaram o tráfego no Largo do Estácio, acesso ao morro, em protesto contra a violência. A resposta do Estado foi o envio de mais policiais armados ao local.

Na visão do delegado de Polícia Civil Orlando Zaccone, os recentes episódios de violência no entorno do São Carlos mostram que a presença da polícia no cenário da disputa só agregou ainda mais violência ao território. “Só o que realmente pode quebrar essa lógica dos confrontos é a legalização do comércio das drogas”, defende o delegado.

Na opinião do delegado, nada deve mudar pelo menos até a realização das Olimpíadas no país e ainda não seria possível prever o destino da UPP depois do megaevento. Mas, para Zaccone, o projeto da UPP é uma política que não será descartada facilmente pelo Estado, independentemente de sua eficácia na prática: “A militarização das favelas é tendência mundial.

Não foi à toa que a ONU premiou esse projeto da UPP. É o que acontece no Brasil, no Haiti, no Oriente Médio e em outros pontos do mundo. A UPP é o apogeu da militarização da favela. Trata-se de um sonho de consumo das elites e das classes médias esse de manter a população pobre sob vigilância armada 24 horas”. Pelo jeito, ainda parece bem distante o dia em que segurança pública será significado de defesa da vida por meio da garantia plena de direitos, como educação, saúde e moradia.

Fonte: Agência Petroleira de Notícias

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