Reforma Agrária

A Folha e seu lobismo latifundiário

Imprimir
Terça, 09 Agosto 2011
Acessos: 1425
Compartilhar

É lamentável o conteúdo do editorial "Marcha a ré do MST", do jornal Folha de São Paulo, de 7/8. A Folha se coloca ao lado de destacadas figuras do latifúndio brasileiro, como Ronaldo Caiado e Kátia Abreu

Emanuel Cancella *

Esses personagens (e suas entidades) estão tão desgastados que há um revezamento entre eles. Caiado presidiu a União Democrática Ruralista (UDR) e Kátia a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Eles representam o que há de mais retrógrado no setor rural brasileiro, como enumerado abaixo:

- O latifúndio: condenado pela lei;

- a monocultura: má utilização da terra, voltada exclusivamente para exportação, sendo propriedade de poucas famílias;

- o agrotóxico: ameaça à saúde dos brasileiros e criação do monopólio das sementes.

Graças a apoios como o da Folha e da burguesia brasileira, o Brasil é o único país de dimensões continentais que não fez a reforma agrária. Com base nesse apoio, os latifundiários constituíram, ao longo dos tempos, bancadas poderosíssimas no Congresso Nacional, conseguindo, através de pressões e ameaças ao governo, financiamento para seus negócios, renovação de financiamentos milionários e alongamento do prazo para pagamento da divida.

Na verdade, além de caloteiros do Erário público, conseguem sempre dinheiro novo. Além do desserviço à sociedade, por conta do latifúndio, da monocultura e do agrotóxico, os latifundiários são constituídos por algumas poucas famílias ricas que se beneficiam de um lobby espúrio contra o Congresso e o governo.

A Folha afirma em seu editorial que o MST “é um grupo de cristãos de esquerda, adepto de ações criminosas, como invasão e destruição de propriedades...”.

Seria crime representar as famílias pobres do campo brasileiro? O que eles combatem, e se orgulham muito disso, é o latifúndio, condenado pela Constituição Federal. A Carta Magna diz que os latifúndios improdutivos têm que servir à Reforma Agrária; e o MST defende que esses latifúndios precisam ser divididos em módulos rurais e servir ao assentamento de famílias no campo, evitando assim o êxodo rural e o inchaço nas cidades.

A agricultura familiar, braço do MST, prioriza o cultivo de alimentos orgânicos (sem agrotóxicos) para preservar a saúde dos brasileiros. A Reforma Agrária possibilita um efetivo combate à inflação, pois aumenta a oferta de alimentos, com consequente queda dos preços. Mesmo com todos os ataques que recebe da mídia (como os da Folha), a Agricultura Familiar é responsável por mais da metade dos alimentos servidos na mesa dos brasileiros.

Afirma a Folha: “... Arauto de uma utopia regressiva, inimigo do agronegócio e da geração de riqueza no campo, o MST vem sendo derrotado por avanços simultâneos na economia, na sociedade e na política...”.

Ao contrario do que afirma a Folha, o MST se orgulha de marchar ao lado dos trabalhadores nos avanços conquistados, e que beneficiam toda a sociedade. Enfrentamos, juntos, a truculência dispensada por nossas elites aos movimentos sociais. Mesmo diante das adversidades, o movimento vai além das cercas das fazendas e das fronteiras brasileiras, sendo reconhecido internacionalmente. Os sem terra não abandonarão a luta pela Reforma Agrária, porém se colocam ao lado dos trabalhadores numa batalha fundamental que é a construção de uma sociedade mais justa, fraterna e democrática.

No dia 24/8, os trabalhadores sem terra estarão acampados em Brasília e nas grandes capitais brasileiras. O MST levará as reivindicações do campo ao Congresso e ao governo. O MST se unirá, também, aos trabalhadores na jornada nacional de luta, para impedir que os patrões e os governos joguem nas costas dos trabalhadores os efeitos da crise financeira internacional.

E mais: nessa mesma jornada, o MST vai participar de Audiência Pública na Câmara dos Deputados, em apoio à campanha “O Petróleo Tem que Ser Nosso”. Juntos, lideranças sindicais e sem terra, entregarão um manifesto contra os leilões do nosso petróleo ao ministro de Minas e Energia, Edison Lobão. As Ligas Camponesas, na década de 1950, participaram ativamente do movimento “O Petróleo É Nosso!”. É histórica essa unidade dos trabalhadores do campo e da cidade.

Os latifundiários se organizam e se fortalecem, com apoio da mídia grande, constituindo lobby para conseguir privilégios no Congresso e junto ao governo. Se beneficiam de algumas poucas famílias. Por seu turno, o MST se une aos trabalhadores para defender os interesses estratégicos do país [petróleo, por exemplo] e da maioria da sociedade brasileira.

Emanuel Cancella é diretor do Sindipetro-RJ.

Fonte: Agência Petroleira de Notícias.

Compartilhar

Copyright © 2019 Agência Petroleira de Notícias. Todos os direitos reservados.
Joomla! é um software livre com licença GNU/GPL v2.0

Av. Presidente Vargas, 502, 7º andar, Centro, Rio de Janeiro - RJ, CEP 20010-000 • (21) 2508-8878 Onlink.