Reforma Agrária

Líder dos sem-terra é assassinado a tiros em Pernambuco

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Terça, 27 Março 2012
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Tido como uma das lideranças mais atuantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) no agreste de Pernambuco, o sem-terra Antônio Tiningo, 37 anos, foi executado na fazenda Ramada, município de Jataúba, a 228 quilômetros de Recife. O crime ocorreu na noite do último sábado. Ele estava a caminho do acampamento quando foi surpreendido por dois homens numa moto, que atiraram na sua testa. Mas somente nesta segunda-feira a direção nacional do MST divulgou nota sobre o crime. A polícia não tem dúvidas de que o crime foi motivado por "razões fundiárias".

Coordenador regional do MST, Jaime Amorim acusou o proprietário da fazenda de ser o mandante do crime. No local, 200 famílias estão acampadas desde fevereiro, com relatos constantes de ameaças. De acordo com Amorim, Tiningo "era um homem marcado para morrer".

- Ele já havia se queixado das ameaças à polícia. Disse que se fosse assassinado, a culpa seria do fazendeiro conhecido por Brecha Maia, que é um homem influente na região, e que atua também no ramo de confecções. Já havíamos reclamado da situação ao Incra e às autoridades estaduais. Mas o estado não fez nada, o Incra não desapropriou a área e terminou sobrando para a direção do movimento. Enviamos uma equipe de apoio do MST ao local, e estamos solicitando que a Secretaria de Defesa Social indique um delegado especial para o caso, já que o principal acusado é muito poderoso - disse Amorim.

O delegado de Brejo da Madre Deus, Júlio César Cruz Porto, informou que não tem dúvida nenhuma que o crime tem ligação com a disputa pela terra.

- Foi crime de encomenda e uma execução sumária. Trabalhamos com duas linhas de investigação. A primeira é que o assassinato teria sido cometido por ordem do dono da área onde fica o acampamento dos sem-terra. A segunda, o crime teria ligação com uma chacina na fazenda Consulta - disse, referindo-se ao conflito entre jagunços e sem-terra em fevereiro de 2009, quando quatro seguranças foram mortos por membros do MST.

Tiningo morava na fazenda Consulta. Na época, Amorim disse: "matamos para não morrer". Depois, Tiningo mudou-se para Jataúba, e ali começou a liderar a ocupação da fazenda Ramada, onde há três anos o MST briga pela desapropriação. O fazendeiro não foi localizado para rebater as acusações.

Em Minas, a Polícia Civil montou uma força-tarefa para investigar o assassinato de três membros do Movimento para a Libertação dos Sem-Terra (MLST), no último sábado, no Triângulo Mineiro. O delegado Samuel Barreto de Souza disse ontem que trabalha com a hipótese de execução, mas não apontou suspeitos da chacina. A única testemunha, uma criança de cinco anos que estava no carro das vítimas, prestou depoimento, e os investigadores já têm indícios sobre a autoria do crime. Em nota, o Incra afirmou que as vítimas eram lideranças do MLST e foram "covardemente assassinadas".
 
Fonte: Letícia Lins, Agência O Globo