Reforma Agrária

Kátia Abreu cria racha entre ruralistas

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Terça, 11 Junho 2013
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Kátia criticou a condução da política indigenista do governo, disse concordar com as bandeiras dos ruralistas e defendeu que a demarcação de terra passe pelo crivo do Congresso Nacional.

 

Por Evandro Éboli, BRASÍLIA

Distante cada vez mais da oposição e cada vez mais próxima do governo, a senadora Kátia Abreu (PSD-TO), presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), disse ser contrária ao bloqueio de estradas planejado por parlamentares ruralistas para a próxima sexta-feira. Kátia afirmou que a postura de radicalização não é aceita por toda a bancada ruralista do Congresso, da qual faz parte.

Kátia criticou a iniciativa do coordenador da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado Luiz Carlos Heinze (PP-RS), de apoiar e estimular a paralisação das estradas no protesto do dia 14. Ela disse que só participará de um ato "pacífico", em espaço legalmente democrático.

- Não estamos apoiando nenhuma radicalização. Não vamos fechar estradas nem BRs (rodovias federais). E não é por causa do governo, não! Não podemos usar as táticas que condenamos de nossos opositores. Eles cometem crime e condenamos. E não invadiremos prédio da Funai e nem hidrelétrica - disse Kátia. - Essa não é a vontade expressiva da bancada (de fechar rodovias). Tenho conversado com muitos deputados e não concordo. A grande maioria não quer invadir estrada. Não vamos prejudicar quem não tem nada com isso, que sofre tanto quanto nós.

Ontem, em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, fazendeiros de todo o estado fizeram um protesto contra a invasão da fazenda Buriti pelos terenas. Alguns estavam a cavalo, mas havia também um carro de som com discursos e palavras de ordem. Os manifestantes pediram solução para os conflitos.

Kátia criticou a condução da política indigenista do governo e a atuação do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. Ela disse concordar com as bandeiras dos ruralistas e defendeu que a demarcação de terra passe pelo crivo do Congresso Nacional, como prevê um projeto em tramitação na Câmara. A senadora chamou Cardozo de omisso.

- De um lado, um ministro da Justiça omisso. Do outro, uma Funai que instiga as invasões de terra por índios. A Funai virou um órgão não republicano e de militância política.

O Ministério da Justiça foi procurado, mas não comentou as declarações de Kátia. O secretário Nacional de Articulação Social, Paulo Maldos, disse que parar estradas só amplia a tensão:

- Poderiam canalizar toda essa energia de trancar estrada e transferi-la para o diálogo.

Para o secretário, não faz sentido a bancada ruralista comparar os indígenas que hoje ocupam terras com o MST, como divulgam seus panfletos:

- São movimentos distintos. O MST ocupa latifúndios improdutivos para denunciar a situação daquela terra, que não cumpre sua função social. Os sem-terra ocupam, mas necessariamente nem se fixam. Vão para outros lugares. O indígena tem uma relação diferente, porque aquela terra é a sua terra. Querem viver e morrer ali. Por isso essa dramaticidade toda, os suicídios e o confronto desigual.