Reforma Agrária

Paulinho da Força no controle da Reforma Agrária

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Segunda, 19 Setembro 2016
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Brasília – O deputado federal e presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva (Paulinho da Força), fala à imprensa após reunião com o presidente interino Michel Temer, no Planalto. 

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

 

UMA DAS MUDANÇAS mais interessantes a serem observadas no governo de Michel Temer envolve a atuação do Incra, órgão responsável pela reforma agrária no país. Entre outros fatores, pelo fato de Dilma Rousseff ter feito um trabalho bastante ruim numa área em que o ex-presidente Lula e o próprio PT cultivaram por mais de duas décadas uma de suas principais bases de sustentação no campo social. Embora não tenha sido decisivo para seu destino político, é fato que Dilma perdeu esse capital de apoio. O MST não foi às ruas defender seu mandato de maneira significativa. E, agora, com Temer? Qual será o papel desempenhado pelo Incra?

O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária tem como função essencial redistribuir as terras do Brasil, acabando com grandes propriedades de terra improdutivas, dividir essas porções em lotes e entregá-los para famílias que dependem do campo e buscam condições básicas para plantar.

A gerência política dessa área do governo Temer foi entregue, após uma negociação sem contratempos, a Paulo Pereira da Silva, líder há 22 anos ininterruptos da Força Sindical, o segundo maior grupo de sindicatos do país e a principal apoiadora da ascensão de Michel Temer ao poder entre representantes de trabalhadores. Paulinho foi uma das primeiras e principais vozes dentro da Câmara a favor do impeachment de Dilma Rousseff. É ele quem dá o aval para nomeações dentro do órgão – informalmente, claro, seguindo à risca as regras tácitas da política brasileira.

Brasília - O deputado federal e presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva (Paulinho da Força), fala à imprensa após reunião com o presidente interino Michel Temer, no Planalto (Marcelo Camargo/Agência Brasil) Brasília – O deputado federal e presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva (Paulinho da Força), fala à imprensa após reunião com o presidente interino Michel Temer, no Planalto. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Algumas coisas chamam a atenção para a entrega do Incra para os desígnios de Paulinho da Força, para além da demonstração clara de que o fisiologismo continua imperando. A primeira é que ele é um sindicalista urbano. A segunda é que, em seus três mandatos como deputado federal, Paulinho jamais apresentou um único projeto relacionado ao assunto da reforma agrária. Ele também nunca integrou uma comissão da Câmara que discutisse projetos relativos ao tema, ou apresentou emendas parlamentares para, por exemplo, beneficiar assentamentos rurais.
Apesar dessa distância do tema em sua atuação legislativa, um dos processos aos quais responde na Justiça é justamente por ilegalidades na… reforma agrária. Ele foi condenado em primeira instância pela Justiça Federal por improbidade administrativa por participar, como presidente da Força Sindical, de uma fraude de R$ 3 milhões no Banco da Terra para a compra superavaliada de um terreno inviável para destinação à reforma agrária.

É ele quem apadrinha o novo presidente do Incra, Leonardo Góes Silva, inclusive com notícia exaltando suas qualidades no site do Solidariedade, partido político criado em 2013 por Paulinho. É dele também a indicação de outros dirigentes, incluindo o responsável pelo desenvolvimento de novos projetos de assentamentos, Ewerton Giovanni dos Santos — este filiado ao Solidariedade em Minas Gerais e que advoga para ao menos um fazendeiro no Estado.

Mais que isso, Paulinho bancou a nomeação de seu filho para comandar uma das superintendências regionais mais importantes do país, a de São Paulo. Alexandre Pereira da Silva é, desde o dia 4 de julho, o responsável por questões relativas, entre outras, à luta pela terra na região do Pontal do Paranapanema, próximo à divisa com o Mato Grosso do Sul, uma das mais conflituosas do país.


O que, afinal, quer Paulinho à frente do Incra? Recentemente, a Coluna Esplanada, do UOL, relatou que ele está criando um braço rural para a Força Sindical, com o nome de Força Rural, para ser um contrapeso para o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra). Ainda não há nada oficial a respeito, mas a Força Sindical já tem um braço de atuação voltado especificamente para os trabalhadores rurais assalariados — ou seja, aqueles que trabalham no campo para agricultores. Nem CUT, maior central sindical do país, tem uma secretaria com esse perfil.

Apesar de o governo planejar um corte de metade da verba programada para a reforma agrária em 2017, o controle sobre o Incra tem um alto valor. Direcionar a seleção dos beneficiados com novos assentamentos, as verbas para melhorias da estrutura das terras cedidas para a reforma agrária e os mais de R$ 200 milhões que o governo planeja para 2017, para a compra de novos terrenos, pode servir para garantir um bom capital político a ele, à sua central sindical e ao seu partido político entre os hoje sem-terra.

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Fonte: The Intecept Brasil

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