Saúde

AVC: sentir-se invisível

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Sexta, 30 Outubro 2009
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O emocionante depoimento de um médico, afetado pela doença

Por Daniel Chutorianscy

 

Você pode se imaginar invisível? A maioria esmagadora das pessoas que tiveram um AVC (Acidente Vascular Cerebral)  ou “derrame” se sente assim: invisível. A maioria some de circulação, some das ruas, some da vida, some do trânsito das pessoas, plenos de frustrações, plenos de mágoas, plenos de dor, por não se sentir capaz de realizar seus desejos, afetos e emoções e, surpreendam-se, continua totalmente lúcida.

 

O que é capaz de causar tudo isso?  Surpreendam-se novamente: O AVC é a doença que mais mata no Brasil, mais do que o infartoe  acidentes de trânsito, mais do que uma guerra. E deixa uma legião de pessoas sequeladas.

 

Mas, afinal, o que é o AVC? É uma interrupção subida do circuito cerebral, deixando vítimas entre jovens e idosos. Na nossa vida existe o “de repente”. Ele não está programado. Por outro lado, a população brasileira não tem quase nenhuma informação sobre como proceder nesses casos.

 

Não existem campanhas de prevenção, atendimento hospitalar adequado nas emergências, tanto públicas como privadas. Perguntamos: como a patologia que mais mata no país pode permanecer invisível?  Por décadas, os sucessivos governos têm preferido “não enxergar”. Assim, permanecem invisíveis a pobreza, a corrupção, os atos de exclusão e preconceito e doenças como o AVC.

 

Fumo, álcool, drogas, má alimentação, estresse, hipertensão arterial estão entre as causas do AVC. Nós somso responsáveis pela vida que vivemos, mas não somos “culpados” como as políticas querem nos fazer acreditar. Culpados de quê? De não termos informações, atendimento adequados, medicamentos disponíveis?

 

O Ministério da Saúde negou, recentemente, aprovação a um projeto para uso, em alguns hospitais públicos, de drogas adequadas para o tratamento emergencial do AVC: os trombolíticos (medicamentos que dissolvem os trombos do cérebro).

 

Basta de exclusão, de invisibilidade, de “eu não sabia de nada e aconteceu – e agora? E a minha vida? E a minha família?...” A sociedade pode ajudar a mudar esse rumo.

 

Sou médico e, depois de ter sido vítima de um AVC, decidi criar o Grupo “AVC-Pulando a cerca”, nome retirado do programa de entrevistas ao vivo que apresentava e, mesmo depois do AVC, continuo apresentando, no Canal 17 da Net, na Unitevê, a TV Universitária de Niterói.

 

Pular a cerca significa “superar obstáculos”, “dar visibilidade”. Da dor e da angústia, nasce um novo projeto de vida. O Grupo está aberto à participação de todos, gratuitamente. Funciona às sextas-feiras, às 15 horas, na Rua Gavião Peixoto 80, sala 503, em Icaraí, Niterói (RJ). O telefone é (21) 99966514. Endereço eletrônica:

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Nosso desafio é dar visibilidade a quem não tem. Dar voz a quem não tem.  Dar vez a quem não tem e conquistar direitos. Lentamente, passo a passo, a conquista da saúde e da cidadania é adquirida. Com essa atitude vidas podem ser salvas.

 

Nesse momento, precisamos de apoio para aprovação e regulamentação pelo governo brasileira da proposta que prevê o fornecimento de trombolíticos nas emergências de todo e qualquer hospital público ou conveniado com o SUS. Urge, também, uma campanha nacional de esclarecimentos sobre a prevenção do AVC.

 

Além disso, sequelas na marcha, na fala, o uso de bengalas, cadeiras de rodas não impedem a lucidez. Somos pessoas, somos brasileiros, exigimos tratamento adequado, respeito, justiça e direitos iguais para todos. Pularemos a cerca da exclusão, da desigualdade, contando com seu apoio e divulgação.

 

Fonte: Daniel Chutorianscy é médico, psicanalista e responsável pelo Grupo AVC-Pulando a Cerca, em 29-10-09

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