Saúde

28 de Fevereiro - Dia Internacional de Prevenção às LER / Dort

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Quinta, 28 Fevereiro 2008
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Lesões por Esforços Repetitivos e Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho: saiba como a doença pode entrar em sua casa!

 

A pesquisadora da Fundacentro (www.fundacentro.gov.br) Maria Maeno toca na ferida que o debate superficial sobre as LER/Dort tenta minimizar. As Lesões por Esforços Repetitivos /Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho  vêm adquirindo um caráter epidêmico e a raiz do problema é o excesso de trabalho, além do acúmulo de responsabilidades que recaem sobre o trabalhador no mundo atual. Maeno dedicou um artigo ao tema e divulgou entre sindicatos e centrais sindicais, para contribuir na campanha de prevenção às LER/Dort, no dia dedicado ao combate de doenças cada vez mais presentes na vida profissional.

Em países da Europa e nos Estados Unidos as LER/Dort são consideradas um fenômeno social principalmente nas décadas de 50, 60, 70 e 80 do século XX. A industrialização crescente e a cobrança de mais e  mais produtividade que recai sobre os trabalhadores é a causa de males não só físicos como também psíquicos e emocionais. Maeno conta que, no Brasil, os primeiros casos foram identificados entre os digitadores, nos anos de 1980. Logo iniciaram um movimento pelo seu reconhecimento como doenças ocupacionais, o que ocorreu em 1987.

No Brasil, foram registrados pela Previdência Social 30.194 casos de doenças ocupacionais em 2004; 33.096, em 2005; 26.645 em 2006. Ainda segundo a pesquisadora, "stima-se que 45% desses afastamentos tenham sido por LER/Dort, que por seu afastamento do trabalho prolongado, oneram sobremaneira os cofres públicos". Segundo a Previdência Social, os gastos em 2005 com o pagamento de benefícios decorrentes de acidentes de trabalho atingiram a cifra de R$ 9,8 bilhões. Adicionalmente, observe-se que é consensual a opinião dos que atuam na área de que há uma subnotificação de pelo menos 80% dos acidentes do trabalho, boa parte deles contabilizados entre os segurados da Previdência Social que recebem benefícios não acidentários. Prosseguindo, Maeno constata:

"Basta conhecer um pouco o mundo do trabalho para saber que a conjuntura sócio- econômica e a reestruturação das empresas em busca do aumento da eficiência e produtividade – através da redução da mão-de-obra, do aumento da carga e do ritmo de trabalho – têm aprofundado características nocivas à saúde dos trabalhadores, gerando sentimentos de insegurança, angústia e baixa auto-estima: as LER/DORT – tenossinovites, tendinites, epicondilites, compressões de nervos periféricos e síndromes miofasciais – , afetam o trabalhador tanto no que se refere à capacidade física como mental".

Ela chama atenção para o sofrimento desses trabalhadores: "O resultado dessa equação é um grande contingente de trabalhadores jovens, com dores crônicas, incapacitantes, ceifados, na maioria das vezes, no auge da sua capacidade de trabalho, colocados à margem de qualquer possibilidade de ascensão social".

A incidência cada vez maior dessas doenças onera os sistemas público e privado de saúde, a Previdência Social, as empresas e o poder judiciário. Proliferam os processos trabalhistas e previdenciários, em busca de indenizações e compensações financeiras que nunca devolverão a integridade física e psíquica aos impetrantes, mas que podem lhes permitir sobreviver, já que dificilmente conseguem se reabilitar e se reinserir no mercado de trabalho.

Maria Maeno diz que é preciso investir em políticas de prevenção e rever as formas de organização do trabalho:

"Devem ser políticas que estimulem novas formas de organização do trabalho, que considerem o ser humano tão importante quanto a qualidade do produto ou do serviço prestado. Que considerem o relatório financeiro anual das empresas tão importante quanto o relatório do estado real da saúde de seus trabalhadores. A valorização do trabalhador deve sair dos discursos e passar para a prática."

Em seu artigo, Maeno lembra que as LER/Dort estiveram no centro dos debates, durante a III Conferência Nacional de Saúde do Trabalhador, em novembro de 2005,  convocada pelos ministérios da Saúde, do Trabalho e da Previdência Social. Ela reconhece que existem algumas ações importantes para evidenciar o problema:

"Ações desenvolvidas por órgãos governamentais têm auxiliado a evidenciar esse importante problema de saúde pública: a notificação compulsória de todos os casos de LER/Dort pelos serviços-sentinela do Sistema Único de Saúde (SUS), determinada pela Portaria 777/2004 do Ministério da Saúde e a definição de um protocolo de LER por aquela pasta; a publicação das portarias 8 e 9 do Ministério do Trabalho e Emprego, em 30 de março de 2007, abrangendo trabalhadores operadores de caixa e de telemarketing; inúmeros cursos para agentes públicos e profissionais de segurança e saúde do trabalhador em geral, a definição do nexo técnico epidemiológico como um dos critérios para estabelecimento do nexo causal pela perícia do INSS".

No entanto, mais importante seria uma política preventiva, o que só será possível se houver uma reflexão honesta sobre a pressão exercida sobre os trabalhadores, que vem aumentando progressivamente nas últimas décadas, em conseqüência da concepção política, social  e econômica do modelo neoliberal. O profissional deve se recusar a ultrapassar certos limites: trabalhar sim, adoecer não!

 

Fonte: Agência Petroleira de Notícias (www.apn.org.br)

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