Saúde

O anti-cancerígeno Avastin suspeito de aumentar o risco de mortalidade em alguns tratamentos

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Quarta, 02 Fevereiro 2011
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O anti-cancerígeno Avastin (Bevacizumabe), medicamento líder do laboratório suíço Roche, aumenta o risco de morte, quando combinado com certas terapias 

Le Monde (França)

 

O anti-cancerígeno Avastin (Bevacizumabe), medicamento líder do laboratório suíço Roche, aumenta o risco de morte, quando combinado com certas terapias, de acordo com uma análise de vários estudos clínicos publicados nesta terça-feira (1º/2) no Journal of American Medical Association (JAMA). O Avastin, que bloqueia o desenvolvimento de vasos sanguíneos necessários para o crescimento do tumor canceroso, foi autorizado pela FDA (Food and Drug Administration, a agência de medicamentos dos EUA) para, em combinação com a quimioterapia tratar de casos câncer avançado do cólon, dos seios, dos pulmões e dos rins. Um certo número de mortes foi relatado em pacientes tratados com Avastin, sem que o papel deste anti-cancerígeno nestas mortes tenha sido determinado com certeza.

Um estudo de grande amplitude

O Dr. Vishal Ranpura do Stony Brook University Medical Center, em Nova Iorque, realizou esta meta-análise dos resultados de 16 ensaios clínicos que envolveram um total de 10.217 participantes para determinar se o Avastin estava associado com mortalidade aumentada. Estes pacientes eram portadores de diversos tumores malignos em estágio avançado. Estes ensaios clínicos avaliaram o Avastin isoladamente e em combinação com quimioterapia ou terapia biológica.  - substâncias naturais ou sintéticas que estimulam o sistema imunológico - bem como estas terapias sem o Avastin. A incidência de mortes em doentes tratados somente com o Avastin foi de 2,5%. Mas a adição de Avastin à quimioterapia aumentou 1,5 vezes o risco de mortalidade, afirmam os pesquisadores. No entanto, essa relação varia muito dependendo dos agentes utilizados na quimioterapia e nas doses de Avastin, informam eles.

Assim, o Avastin empregado em conjunto com os taxanos (agentes quimioterápicos), tais como paclitaxel, docetaxel ou agentes derivados de platina multiplicaram por 3,5 o risco de mortalidade. Contudo, este  risco não aumentou quando o Avastin foi combinado com outros agentes quimioterápicos.

Retirada do mercado

As causas de  morte mais frequentes foram a hemorragia (23,5%), a neutropenia - baixa contagem de células brancas no sangue - (12,2%), as perfurações intestinais (7,1%), a embolia pulmonar (5,1%) e os acidente vasculares cerebrais (5,1%). Os autores do estudo  sublinham que o risco absoluto de mortalidade relacionada ao tratamento é muito baixo quando comparado com os efeitos benéficos do tratamento com o Avastin para prolongar a vida de pacientes com câncer avançado. Eles alertaram os médicos e os pacientes para estarem cientes do risco aumentado de morte relacionada com uma combinação de quimioterapia com o Avastin e acompanhar de perto a ocorrência de efeitos colaterais sérios para tratá-los.

Em um editorial também publicado na mesma revista citada acima, em 2 de fevereiro, o Dr. Daniel Hayes, da Universidade de Michigan, escreveu que uma análise detalhada das taxas de resposta para o câncer do Avastin sugere que este só é eficaz em determinados pacientes. A FDA havia anunciado em dezembro o início do processo de retirada do Avastin do mercado para tratamento de câncer de mama, por causa de sua ineficácia e dos riscos apresentados. Esta decisão seguiu a recomendação quase unânime de um painel consultivo de especialistas independentes em julho passado.

Fonte: Le Monde (França), com AFP - 02/02/2011. 

Tradução: Argemiro Pertence - engenheiro e comentarista internacional do programa "Faixa Livre" (Rádio Bandeirantes 1360 AM).

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