Saúde

18 de Maio: Dia Nacional da Luta Antimanicomial

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Terça, 17 Maio 2011
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Movimentos sociais se unem pela humanização do atendimento a pessoas com sofrimento psíquico intenso

Há mais de 20 anos, movimentos sociais, entidades sindicais e acadêmicas vêm lutando pela humanização do atendimento a pessoas com sofrimento psíquico intenso. Os modelos adotados nos hospitais psiquiátricos atualmente, além de arcaicos e centralizadores, não proporcionam ao paciente melhora efetiva.

Isso porque, o encarceramento e o processo de exclusão agravam ainda mais o transtorno psíquico, tendo como resultado manifestações de agressividade, reflexo do tratamento desumano ao qual é submetido ao longo de sua permanência no hospital.

Além das ações e protestos que acontecem durante o ano todo, o mês de maio em especial tem uma importância para a saúde mental. 18 de maio é o Dia Nacional da Luta Antimanicomial.

De acordo com levantamento feito pela Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 25% da população sofre, em certo momento da sua vida, algum tipo de transtorno mental.

Uma alternativa aos grandes leitos psiquiátricos são os investimentos nos chamados modelos substitutivos de tratamento na área da saúde mental. Dentro destes modelos estão espaços públicos como Caps (Centro de Atenção Psicossocial) e as Residências Terapêuticas.

O Ministério da Saúde já interviu através de uma indicação para que em municípios acima de 200 mil habitantes sejam implantados os Caps III que cumprem um papel fundamental no acolhimento do portador de transtorno mental, sobretudo por serem espaços menores, mais organizados, humanitários e com atendimento 24 horas. Neles, os pacientes chegam pela manhã e são dispensados ao longo do dia para voltar a seus locais de moradia. Em casos de surtos, os pacientes podem ficar internados por, no máximo sete dias.

“Oferecer ao portador de transtorno mental um atendimento junto à comunidade e ao berço familiar é essencial, pois assim se garante que seus direitos não sejam feridos e que o seu sofrimento seja tratado de fato. Segregar pessoas em hospitais psiquiátricos é negar o direito a existência e ao tratamento”, salienta Lucio Costa, da direção do SinPsi (Sindicato dos Psicólogos de São Paulo).

Fernanda Magano, presidente da FenaPsi (Federação nacional Dops Psicólogos) lembra que os movimentos antimanicomias vêm atuando junto ao Ministério da Saúde e as secretárias estaduais e municipais no sentido de cobrar o cumprimento a norma estabelecida pelo Ministério. “A implementação da rede Caps, que são centros menores do que os hospitais psiquiátricos e que trabalham principalmente com grupos terapêuticos, proporcionam ao portador de transtorno mental, em primeiro lugar, a garantia de que seu direito enquanto cidadão não seja cerceado pela exclusão.”

Em São Paulo, há uma clara condição de retrocesso, com indicativos de extinção do SUS e privatização dos serviços públicos que afeta diretamente os serviços psiquiátricos. Em algumas cidades, os hospitais psiquiátricos monopolizam a administração desses modelos substitutivos, caminhando na contramão da Reforma Psiquiátrica, que prevê a substituição progressiva dos hospitais de grande porte por modelos menores e descentralizados, os chamados substitutivos.

Para aqueles que acreditam em um mundo sem grades, onde toda e qualquer diferença é bem-vinda, o 18 de maio significa o enfrentamento do estigma que ronda a pessoa que sofre com o transtorno mental, reafirma seu direito de um tratamento público, integral e de qualidade e a possibilidade de exercer sua cidadania.

Fonte: CUT-Nacional (reproduzido do SinPsi/SP)

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