Saúde

Médico expõe projeto para revitalizar saúde

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Quinta, 04 Setembro 2008
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A proposta busca um processo onde as  atuais unidades funcionem adequadamente na produção da saúde e no atendimento às patologias, caracterizando verdadeiramente uma Secretaria de Saúde, e não de Doenças

 

 

Por Daniel Chutorianscy, médico, setembro de 2008


"As instituições públicas (escolas, postos de saúde, hospitais, universidades) continuam funcionando até hoje (independentemente de baixos salários, instalações deficientes, etc.), por simples resistência, desejo e cidadania de seus funcionários. Elas pertencem à população brasileira".

Niterói possui um dos mais complexos sistemas de saúde do país. Poucos municípios no Brasil contam com uma rede que vai do primeiro ao quarto nível de complexidade.

Nos últimos tempos, esta rede de saúde não cresceu, "inchou", atrofiou-se pela imprevidência, falta de planejamento e fisiologismo. Motivos: ausência de suporte adequado: esterilização, veículos, informatização, lavanderia, reciclagem técnico-científica, além da excessiva centralização facilitando "manobras" políticas, distanciando o corpo funcional e alienando o usuário. Mais ou menos assim: bandinha de música na porta, discursos de elogios, tapinhas nas costas, todos sorridentes e felizes e, finalmente, a inauguração. No dia seguinte, a triste realidade – o improviso e a falta de estrutura, gerando dor, sofrimento e angústia; diluição dos objetivos básicos e premissas no campo da Saúde, privilegiando apenas o tratamento muitas vezes inadequado da doença. A saúde é um processo de transformação social; a doença, seu impedimento em todos os níveis. O agente transformador é o ser humano, meio e fim de todas as ações. Necessariamente, o projeto de Saúde inicia-se nele, seja funcionário ou usuário, pois todos nós, a qualquer tempo, podemos ser agentes ou pacientes. (...)

O que objetivamos, no nosso projeto de Saúde, é que seja um processo onde as  atuais unidades funcionem adequadamente na produção da saúde e no atendimento às patologias, caracterizando verdadeiramente uma Secretaria de Saúde, e não de Doenças. Tal projeto, por si só, é uma revolução (aquilo que torna a evoluir), compartilhando, em sua trajetória, diferenças e semelhanças.

 

CAMINHOS:

1.O conhecimento e diagnóstico da rede, através de auditorias internas e externas. (gastos, consumos, custos, deslocamentos, recursos humanos, recursos materiais, procedimentos clínicos,avaliação epidemiológica e populacional).

2.Valorização do corpo funcional, (plano de carreira, salários, reciclagem técnica e científica, Conselhos de Ética, de Controle de Infecções, estímulo, valorização e premiação de pesquisas e da criatividade)

3.Controle social: no Brasil, via de regra, há os pomposos Conselhos Federais de Saúde, Conselhos Estaduais de Saúde e Conselhos Municipais de Saúde. E na unidade básica, onde se produz o fato, isso não existe. Coincidência? Claro que não. Parece um enorme corpo aleijado, sem pernas. Propõe-se a criação de Conselhos Gestores em todas as Unidades de Saúde da rede, seguindo a lei federal do SUS de 1988. Conselhos Gestores paritários, de funcionários e usuários. Os C.G., com suas reuniões abertas, podem ser os gestores econômicos e financeiros de cada unidade. Os C.G. podem articular-se e acompanhar de perto e fiscalizar as licitações de aquisição de insumos.

4.O modelo de C.G. (já aprovado pelo Conselho Municipal de Saúde de Niterói): oito membros-    quatro funcionários e quatro representantes de segmentos de usuários (...) . O processo democrático é o pressuposto básico da Saúde.

5. Informatização da rede: absolutamente incompreensível que, em 2008, não tenhamos uma rede informatizada, mas é compreensível o motivo: a excessiva centralização e o impedimento de comunicação direta entre as unidades. Seu custo? Uma excessiva burocracia, lentidão e um "papelório" infernal. Gastos excessivos, desviando recursos de áreas prioritárias (...)

6. Integração justa, responsável e adequada da S.M.S-Niterói com a Universidade Federal Fluminense, Secretaria de Estado de Saúde e os setores privados complementares. Atuar sem preconceitos, porém mantendo os preceitos éticos e legais quanto à legislação trabalhista, previdenciária e reciprocidade justa.

7. Rediscussão e ampliação de conceitos e concepções: nos últimos tempos, pelo exposto acima, diluíram-se os conceitos de Atenção Primária, Secundária, Terciária e Quaternária e, principalmente, a concepção do Médico de Família (ampliar as equipes – dentista, psicólogo, serviço social, enfermeiro, internação domiciliar e atendimento a todo o município).Programas para pacientes com necessidades específicas (aids, câncer, visão, esquelética,neurológica,coração), distribuição controlada de medicamentos. Como fazer? Iniciar um processo de Educação e Saúde com seminários, debates, críticas e autocríticas para que profissionais e comunidade possam avançar como um todo, tendo como suporte a cidadania, o conhecimento, a ciência e a garantia de participação no processo coletivo. (...) O objetivo básico de Setor Público nunca foi o lucro, e sim, atender às demandas sociais :universalidade, cidadania, ética e justiça. As finalidades do Setor Público e Privado são diferenciadas, portanto, incompatível "Fundação Pública de Direito Privado".

Como todo projeto, não se trata de um exercício de "futurologia", mas de concepções políticas claras e simples, sabendo que a sua implantação não é um "passe de mágica". O ser humano, o meio e o fim, é aquele que busca o novo ou resiste com antigo. Nossa tarefa: mediar, compreender e ter humildade (que não deve ser confundida com subserviência, e sim sabedoria) de, a partir do município de Niterói, tornar o modelo de "Saúde-moreno" possível e, viabilizando-o, conquistar o coração do Brasil.

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