Saúde

Felipe Peixoto abandona saúde pública do Rio em plena crise

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Quarta, 23 Dezembro 2015
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Secretário alega para se desligar do cargo a futura disputa eleitoral em Niterói, mas por lei só precisaria se desincompatibilizar daqui a seis meses

 

Por Paula Máiran

O secretário de Saúde Felipe Peixoto anunciou nesta quinta-feira (22/12) que abandonará ainda neste fim de ano a pasta de saúde do Estado do Rio de Janeiro. A decisão de Peixoto surpreende por ocorrer justamente em um momento de auge de uma crise na gestão estadual. Além do mais, contraria a política que tem sido adotada pelo governador Pezão de não mexer no secretariado nessas circunstâncias.

O pedetista é identificado como um secretário da cota pessoal de indicações do governador, posto que ele e seu partido não teriam expressão política que justificassem a sua escolha para uma pasta de tamanha responsabilidade.

Pezão convidou o pedetista para o cargo de secretário em notório reconhecimento à sua lealdade ao PMDB na campanha eleitoral de 2014. Peixoto cumpriu de forma exemplar o papel de apoiador e de organizador da campanha de Pezão em Niterói, mesmo depois de ter perdido o posto de vice na chapa estadual do PMDB, quando seu nome já havia sido anunciado publicamente. Pezão, por sinal, contou em Niterói também como o apoio do prefeito Rodrigo Neves (PT), que boicotou a candidatura do próprio partido para apoiar o então candidato à reeleição.

A saída de Peixoto se dá após uma gestão da pasta da Saúde que foi merecedora de moção de repúdio contra o secretário aprovada pela Alerj logo nos primeiros meses do ano. A sua passagem pela Saúde foi extremamente prejudicada por sua inexperiência e pela falta de habilidade política para lidar com as pressões inerentes ao cargo.

Não há marcas positivas dignas de nota na passagem de Peixoto pela pasta da Saúde. Pelo contrário, colecionou resistências, especialmente entre os servidores públicos. Por exemplo, pelo modo como acelerou o processo de privatização por meio da implantação das Organizações Sociais (O.S.) para a gestão dos hospitais da rede estadual. A medida provocou a remoção de centenas de trabalhadores e aprofundou o quadro de sucateamento da saúde no estado. Felipe ainda tentou impulsionar a discussão sobre o Plano de Cargos e Carreiras, mas não soube dar continuidade a esse processo, o que só acirrou ainda mais as críticas dos trabalhadores a sua gestão.

O secretário abandona a Saúde em meio a uma crise generalizada. As UPAs estão paralisadas parcial ou totalmente. O Hemorio também está parado por falta de pagamento dos servidores; assim como o Instituto Estadual de Cardiologia Aluizio de Castro, onde denúncias dão conta até mesmo da falta de alimentação para os pacientes. No Rio Imagem, chegou a haver a ameaça de um pedido de demissão em massa dos servidores que, com os salários atrasados, interromperam a realização de exames. Os Hospitais Getúlio Vargas, Alberto Torres e Azevedo Lima padecem com a falta de insumos básicos, o que tem levado ao cancelamento de procedimentos e mesmo a fechamentos temporários.

Mesmo a seis meses do prazo para deixar o cargo a tempo de se tornar apto para concorrer nas próximas eleições, Peixoto decide antecipar a sua saída em pleno quadro de caos na saúde pública e ainda usa de argumentos frágeis pra tentar se livrar e ao governo estadual das suas responsabilidades na crise que afeta o pagamento dos salários dos servidores. Ele credita a crise na pasta com orçamento de mais de R$ 7 bilhões à falta de repasses do governo federal, mas o valor de tais repasses não chega a R$ 200 milhões, o equivalente a menos de 3% do orçamento da secretaria.

Tudo indica que o secretário, de olho nas eleições do ano que vem, resolveu abandonar o barco para não afundar junto dele. O custo de sua escolha quem paga é a saúde estadual. Não é fácil substituir o secretário da principal pasta do governo no auge da maior crise de sua história. Ainda mais nestes tempos em que a população se vê a mercê de graves doenças infectocontagiosas, como a zika, causadora da microencefalite. Mas essa não é a primeira vez em que Felipe Peixoto age dessa forma. Ele também abandonou o seu ex-padrinho Jorge Roberto Silveira justamente no momento de seu naufrágio político como prefeito de Niterói.

Fonte: APONTE Notícias

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